Depois de 8 horas de debates,pouca gente entendeu, inclusive o Ricardo Kotscho do UOL mas uma coisa é certa – o André Mendonça criou um caos no STF, virou herói nas redes evangélicas, mas perdeu e passou vexame!
Por Rui Martins, editor do direto da Redação

Mas, na verdade foi diminuído e perdeu. Não foi ainda derrota por nocaute, mas Mendonça, mesmo com o apoio de Deus, foi jogado contra as cordas. E, no dia 23,que tome cuidado! poderá encerrar sua experiência como ministro na Suprema Corte, o STF! Sentado entre Moraes e Dino, ele talvez tenha percebido, mas muito tarde, ter provocado uma briga para a qual não tem calibre.
Ou será que ele esperava mesmo um milagre, como aqueles contados nos contos bíblicos, com as orações dos seus milhões de seguidores evangélicos?
Senão, de onde lhe veio a idéia de enfrentar o saber e a experiência jurídica desses monumentos que são Flávio Dino, Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, que lhe desmoralizou, chamando-lhe de pichuleco, boneco de eleição!
Gilmar também não lhe perdoou sua falta de colegialidade, talvez por se considerar superior aos juristas seus colegas, sim, por estar ali, no STF, por escolha de Deus!
Se acredita mesmo no que tem falado aos seus irmãos evangélicos, seria bom consultar um psiquiatra, isso é um síndrome ou delírio.
E sua derrota, me lembrou a queda de um outro terrivelmente evangélico e também pastor, abandonado por Deus sob acusação de corrupção. Foi o ex-ministro da Educação, em plena ascenção pelo menos assim pensava, hoje quietinho como pastor em Santos.
A releitura do Velho Testamento com a teologia do domínio subiu na cabeça de muitos pastores, que começarem a se considerar como heróis bíblicos, capazes de fazer milagres com o apoio das orações de seus seguidores. Milagres em favor de Jair Bolsonaro e de seu filho Flávio. E ter um cargo no STF, o mais alto cargo público, como disse Mendonça num vídeo para seus seguidores evangélicos, é, para Mendonça, o instrumento dado por Deus para agir dentro da política brasileira. (versão sonora no Youtube – https://www.youtube.com/@rpertins )
Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.