Rio de Janeiro, 10 de Setembro de 2026

Crise na cúpula do Judiciário respinga na campanha do presidente Lula

Na avaliação do núcleo político, os desdobramentos da crise no STF poderiam afetar a imagem de Lula, o que levou o próprio presidente da República a atuar diretamente, nos bastidores dos acontecimentos.

Quinta, 10 de Setembro de 2026 às 17:12, por: CdB

Na avaliação do núcleo político, os desdobramentos da crise no STF poderiam afetar a imagem de Lula, o que levou o próprio presidente da República a atuar diretamente, nos bastidores dos acontecimentos.

Por Redação – de Brasília

A crise em curso no Supremo Tribunal Federal (STF) preocupa a cúpula do PT e a coordenação de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em face dos possíveis prejuízos à reeleição. As mais recentes pesquisas de intenção de voto, elaboradas após os episódios envolvendo a Corte, apontaram para avanços do candidato Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial, configurando um cenário de empate técnico a menos de um mês do primeiro turno que exige correções de rumo e reação imediata.

Lula, candidato
Nos próximos dias, Lula dará início a uma série de agendas políticas na região Sul do país.

Presidente nacional do PT, o ex-ministro Edinho Silva convocou reuniões de emergência com a Executiva Nacional do partido, para os próximos dias, com as demais legendas da base de apoio governista e líderes das centrais sindicais, em uma tentativa de traçar um plano de ação conjunta para uma reação junto à Opinião Pública.

O atual cenário tem provocado apreensão entre aliados históricos do campo progressista, incluindo movimentos sociais e sindicatos, segundo apurou o diário conservador paulistano Folha de S. Paulo. Representantes das instituições queixam-se de apatia na condução dos trabalhos e cobram uma participação mais efetiva e engajada na campanha, em patamar semelhante ao papel desempenhado na eleição de 2022.

Movimentos

Na avaliação do núcleo político, os desdobramentos da crise no STF poderiam afetar a imagem de Lula, o que levou o próprio presidente da República a atuar diretamente, nos bastidores dos acontecimentos. Lula passou a articular movimentos junto a ministros do tribunal e a congressistas no intuito de estancar eventuais danos políticos.

Entre os interlocutores e aliados, há reclamações sobre uma suposta demora do presidente e do comando da campanha em reagir a temas sensíveis do debate público. Um dos exemplos citados ocorreu na véspera, quando Lula publicou nas redes sociais uma cobrança pela divulgação integral das investigações relativas ao caso Master. Embora a manifestação tenha servido de diretriz para a base, a avaliação é de que o posicionamento oficial demorou dias para sair da defensiva.

Mesmo no âmbito interno do PT e na equipe de assessoria do Executivo, persistem queixas sobre a falta de vigor na condução das agendas, sem que se defina se a responsabilidade decorre da coordenação do pleito ou do ritmo do próprio candidato.

Agenda

Em função dos acontecimentos, Lula optou por enfrentar, o quanto antes, o eleitorado mais resistente à sua reeleição. Nos próximos dias, Lula dará início a uma série de agendas políticas na região Sul do país com o objetivo de fortalecer as candidaturas de seus aliados locais e reduzir a vantagem eleitoral da direita e do bolsonarismo nos três Estados.

O giro pelo Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina marca a primeira grande ofensiva direta do chefe do Executivo na região nesta temporada de mobilização política, buscando ampliar sua base de apoio em um território que registrou expressiva votação para Jair Bolsonaro (PL) em 2022.

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