Rio de Janeiro, 11 de Setembro de 2026

Empresariado se pronuncia em apoio ao ministro Edson Fachin

O grupo reúne pessoas que não integram o mesmo espectro político.

Sexta, 11 de Setembro de 2026 às 17:06, por: CdB

O grupo reúne pessoas que não integram o mesmo espectro político.

Por Redação – de Brasília

Empresários, economistas, juristas e outros líderes da sociedade civil redigiam, nesta sexta-feira, uma carta pública de apoio ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin. Cerca de 50 líderes de indústria, comércio e serviços fizeram, na véspera, uma primeira reunião, em uma videoconferência reservada com o objetivo de debater propostas de reforma e fortalecimento institucional do Judiciário frente a crise na Corte Suprema.

Edson Fachin
Edson Fachin

Entre os signatários do documento estão o economista Arminio Fraga, ex-presidente do BC; o professor Oscar Vilhena, diretor da Escola de Direito da FGV-SP; a cientista política Maria Tereza Sadek; a advogada criminalista Patrícia Vanzolini; o CEO da Natura, Pedro Passos; a empresária Amanda Klabin Tkacz; o economista André Lara Resende, ex-presidente do BNDES; e a socióloga Neca Setúbal; além do economista Pedro Malan, ex-ministro da Fazenda.

A videoconferência ocorreu quase na mesma hora em que Fachin retirou do ministro Alexandre de Moraes a relatoria do inquérito das fake news, que ele conduzia havia mais de sete anos. O presidente do STF também suspendeu as decisões conflitantes de André Mendonça e Flávio Dino sobre o comando da Polícia Federal (PF) e manteve Andrei Rodrigues no cargo de diretor-geral da corporação.

Golpista

O mote da carta surgiu no final da reunião, proposta pelo ex-ministro da Justiça Miguel Reale Jr. O texto passou, então, a ser elaborado para aprovação do grupo, que tem sua origem em 2022, com a proposta de defender a democracia (e o STF) de ataques de fundo golpista. O resultado foi uma carta, assinada por milhares de pessoas e entidades empresariais e trabalhistas, lida na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), com ampla repercussão nacional.

Com a escalada da atual crise no Supremo, o empresário Josué Gomes, ex-presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) procurou o jurista e colunista do diário conservador paulistano Folha de S. Paulo Oscar Vilhena, entre outros representantes do grupo, para debater os ataques ao Supremo.

— Se lá atrás nós defendemos o STF de ataques externos, agora a ideia é tentar defender o STF de ataques internos — afirmou Vilhena, a jornalistas.

Instituição

Outros juristas têm trabalhado em propostas de reforma do Judiciário há algum tempo, tratando, por exemplo, de uma revisão das competências do STF. O tema já foi objeto de uma proposta do Instituto FHC, em junho de 2025, e da OAB-SP. A crise atual do STF levou o grupo a se reunir novamente para tratar do assunto, no intuito de defender a instituição.

— A ameaça externa permanece, mas hoje entendemos que a crise é interna — acrescentou Vilhena.

O grupo reúne pessoas que não integram o mesmo espectro político. Fazem parte Miguel Reale Jr. e José Eduardo Cardozo, que ficaram em campos opostos no episódio do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

— Achei a ideia boa [da carta]. O ministro Fachin precisa, e merece, apoio — concluiu Malan.

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