Rio de Janeiro, 15 de Setembro de 2026

Julgamento no Supremo é suspenso após pedido de vista de Dino

Entre as providências ordenadas por Flávio Dino estão a intimação do Município de São Paulo e da Agência Reguladora de Serviços Públicos do Município de São Paulo (SP Regula) para prestarem esclarecimentos sobre a concessionária Cortel SP.

Terça, 15 de Setembro de 2026 às 18:47, por: CdB

Entre as providências ordenadas por Flávio Dino estão a intimação do Município de São Paulo e da Agência Reguladora de Serviços Públicos do Município de São Paulo (SP Regula) para prestarem esclarecimentos sobre a concessionária Cortel SP.

Por Redação – de Brasília

Com o pedido de vista ao processo, após um bate-boca entre os ministros Gilmar Mendes e André Mendonça, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino encerrou o debate da sessão que julga a questão de ordem que unifica o julgamento dos casos que afetam os ministros Alexandre de Moraes e Mendonça no caso do Banco Master.

Ministro Flávio Dino

Durante a reunião plenária do STF, o ministro Alexandre de Moraes fez duras acusações contra o colega Mendonça, ao afirmar que o magistrado está “a serviço de um grupo político que quis dar um golpe”. Durante o embate, Moraes reagiu firmemente às acusações sobre investigações em andamento e questionou a conduta em relação ao órgão policial.

— Quem tem medo da Polícia Federal? Quem chamou a Polícia Federal e exigiu que a PF colocasse um colega na colaboração premiada? E vamos trazer aqui testemunhas, policiais, advogados. Eu tenho testemunhas — declarou o ministro.
Em resposta imediata às afirmações de Moraes, André Mendonça rebateu dizendo apenas:
— mentira!

Indícios

Flávio Dino, em sua intervenção no processo, determinou a adoção de uma série de providências para esclarecer indícios de irregularidades na concessão de serviços funerários, cemiteriais e de cremação no município de São Paulo e suas conexões com apurações relativas ao Banco Master, segundo decisão proferida no âmbito da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF).

Na decisão, o relator ressaltou que o voto divergente proferido pelo ministro André Mendonça — contrário ao estabelecimento de teto para as tarifas e favorável às empresas concessionárias — atendeu diretamente a interesses de fundos vinculados ao Banco Master e coincidiu temporalmente com a ascensão profissional de seu irmão, Alexandre de Almeida Mendonça, no órgão municipal encarregado de fiscalizar o setor.

Entre as providências ordenadas por Flávio Dino estão a intimação do Município de São Paulo e da Agência Reguladora de Serviços Públicos do Município de São Paulo (SP Regula) para prestarem esclarecimentos sobre a concessionária Cortel SP. Além disso, a decisão exige o envio de informações e documentos por parte da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e do Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP), além do encaminhamento de cópia dos autos ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, para instruir apurações sobre as condutas de André Mendonça.

‘Pixuleco’

O ministro Gilmar Mendes, por sua vez, chamou de “pixuleco eleitoral” a condução do ministro André Mendonça no caso envolvendo o Banco Master e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, e afirmou que a atuação do colega foi “digna de máfia, covarde, vil”.

Gilmar acusou Mendonça, relator do caso, de agir com “inequívoco viés político-eleitoral” e de dar tratamento desigual a elementos encontrados no celular de Vorcaro: enquanto produziu, de ofício, material relacionado ao ministro Alexandre de Moraes, não teria adotado o mesmo rigor diante de dados que citariam o ministro Kassio Nunes Marques.

— De um lado, centenas de páginas produzidas de ofício à margem da competência do plenário e sem oitiva do titular da ação penal para reunir referências a um ministro. De outro, elementos que vêm a público que dizem respeito a outro ministro, que constam de dados oficiais do Coaf, que aparecem com nome e sobrenome no aparelho do principal investigado da operação, sem que se tenha visto o mesmo rigor ou qualquer tipo de impulso de ofício — afirmou Gilmar.

‘Meu amigo’

Ainda durante o julgamento, vazaram na mídia conversas extraídas do celular de Daniel Vorcaro, que revelam uma relação de proximidade com o advogado Rodrigo Fux, filho do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF). As mensagens indicam uma convivência que misturava assuntos profissionais, encontros pessoais, festas, convites para o Carnaval e tratativas sobre temas de interesse do banqueiro.
Fux negou qualquer proximidade com o ex-banqueiro, mas os diálogos ocorreram entre maio de 2024 e ao menos agosto de 2025 e mostram um tratamento informal e recorrente entre os dois, com expressões como “irmão”, “meu amigo” e “meu caro”.

A troca de mensagens ganha relevância em meio ao avanço das apurações envolvendo Vorcaro e o Banco Master, caso que também passou a ter impacto político e institucional. O banqueiro aparece no centro de investigações sobre negócios e movimentações financeiras ligadas ao banco.

‘Perdeu!”

O caso se tornou ainda mais sensível por envolver a relação de Vorcaro com o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), que teve conexões com o empresário expostas no âmbito das apurações do caso do filme ‘Dark Horse’.

Logo no início dos diálogos, em maio de 2024, Vorcaro perguntou a Rodrigo Fux se ele iria a um encontro. O advogado respondeu: “Me fudi aqui. Não vou conseguir. Patroa na cola”. Em seguida, perguntou: “Tá o fervo aí?”. O banqueiro reagiu com “Pqp!” e “Perdeu!”.
Dias depois, Rodrigo Fux sugeriu um novo encontro com Vorcaro. “Quando estiver em SP te dou um toque pra almoçarmos ou fumarmos um charuto”, escreveu. O ex-dono do Banco Master aceitou e informou quando estaria em Brasília e São Paulo. As mensagens mostram que os dois passaram a ajustar agendas para se encontrar pessoalmente.

Caiu fora

Logo no início da sessão desta terça-feira, o ministro Kassio Nunes Marques declarou-se impedido de participar do julgamento que analisa um pedido de investigação envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e mensagens atribuídas ao empresário Daniel Vorcaro.

Ao anunciar sua decisão durante a sessão do plenário, Nunes Marques afirmou não ter atuado em processos relacionados ao Banco Master e negou qualquer vínculo financeiro entre a instituição e seu filho, Kevin Marques, citado em mensagens de Vorcaro. O ministro também sustentou que sua atuação no caso não estaria comprometida, mas disse considerar necessário se afastar do julgamento diante de fatores institucionais e do cenário eleitoral.

— Em relação a mensagens que circulam, eu nunca julguei nenhum processo relacionado ao Master. Meu filho nunca prestou nenhum serviço ao banco e nunca foi remunerado pelo banco. Isso é fato. O sigilo bancário já foi quebrado. Não adianta especular. Contra fatos não há argumentos — afirmou.

Mensagens

Pouco antes de Nunes Marques se retirar do Plenário, foram divulgadas mensagens extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro citam o ministro em uma conversa envolvendo mulheres e uma cobrança de R$ 10 mil por encontro. Segundo reportagem publicada nesta terça-feira pelo site brasiliense de notícias ‘Metrópoles’, uma interlocutora de Vorcaro afirmou que uma amiga “ficou com o Kassio”. Nunes Marques negou ao veículo ter se encontrado com a mulher mencionada.

De acordo com o veículo de comunicação, a conversa foi mantida entre Vorcaro e uma mulher identificada como Rayanna. O conteúdo das mensagens, segundo o Metrópoles, levou os jornalistas a interpretar a referência a “Kassio” como uma possível menção ao ministro do STF, embora as mensagens reproduzidas não apresentem o nome completo do magistrado.

Em 28 de fevereiro de 2025, Rayanna perguntou a Vorcaro: “Qual o endereço, Dani?”. Logo depois, escreveu: “As meninas estão prontas”. Dias mais tarde, conforme a reportagem, a interlocutora voltou a conversar com o banqueiro e afirmou que uma amiga “ficou com o Kassio”. O diálogo também faz referência a uma cobrança de R$ 10 mil por encontro.

Pagamentos

Ainda no caso em julgamento, o conteúdo integral do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, entregue a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) na véspera, revela mensagens de texto nas quais o empresário trata de pagamentos que seriam destinados ao advogado Kevin Marques, filho do ministro Kassio Nunes Marques. As transferências teriam como intermediária a empresa Consult Inteligência Tributária, apurou Mônica Bergamo, do diário conservador paulistano ‘Folha de S Paulo’.

As conversas foram mantidas entre Daniel Vorcaro e Luiz Rennó, que exercia o cargo de diretor jurídico do Banco Master. Nas mensagens registradas, Rennó faz menção expressa a repasses mensais no valor de R$ 500 mil.

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