Rio de Janeiro, 07 de Janeiro de 2026

Diplomacia brasileira entra em contato com presidente venezuelana

Após o sequestro de Nicolás Maduro por forças dos EUA, a diplomacia brasileira, liderada por Celso Amorim, dialoga com Delcy Rodríguez para entender a situação na Venezuela.

Segunda, 05 de Janeiro de 2026 às 18:57, por: CdB

Integrantes da equipe do embaixador Celso Amorim, assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, conversaram por telefone, ainda na manhã de sábado, com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez.

Por Redação – de Brasília

O Palácio do Planalto mobilizou a diplomacia brasileira em seguida ao sequestro de Nicolás Maduro por forças norte-americanas, ocorrida na madrugada de sábado, em uma operação que levou o líder venezuelano preso para Nova York. A atuação foi coordenada pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE).

Diplomacia brasileira entra em contato com presidente venezuelana | Presidente em exercício da Venezuela, Delcy Rodriguez fez um pronunciamento à nação
Presidente em exercício da Venezuela, Delcy Rodriguez fez um pronunciamento à nação

Integrantes da equipe do embaixador Celso Amorim, assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, conversaram por telefone, ainda na manhã de sábado, com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez. Os contatos também incluíram o ex-vice-ministro da chancelaria venezuelana, Rander Peña, e Antonio Ecarri Angola, candidato independente derrotado nas eleições presidenciais de 2024.

Interlocutores do governo brasileiro relataram que representantes do chavismo reconheceram a existência de negociações prévias entre Delcy Rodríguez e o governo de Donald Trump, antes da operação militar que resultou no sequestro de Maduro. Segundo essas fontes, as tratativas não teriam sido concluídas a tempo.

 

Chavismo

Um emissário do Planalto chegou a afirmar a jornalistas, no Itamaraty, que Venezuela e Estados Unidos ainda “não tinham chegado a termos” e “os norte-americanos avançaram e prenderam Maduro quando viram que tinham condições”. A avaliação compartilhada com o governo brasileiro é de que Delcy Rodríguez busca demonstrar unidade interna no chavismo em um momento de forte instabilidade.

No Planalto, a principal preocupação agora é compreender se a presidente interina pode representar um caminho de transição política conduzido internamente.

— Pragmática ela é — disse um diplomata.

 

Consultas

Outros países vizinhos consultaram como o Brasil se posicionaria a respeito da ação militar que capturou Nicolás Maduro, ainda de acordo com fontes do MRE. Ao menos um chanceler da região fez contato com a embaixada brasileira para saber de que forma o governo Lula pretendia se manifestar.

A diplomacia sul-americana também repercutia a declaração do economista Jeffrey Sachs, um nome relevante na esfera acadêmica dos EUA. Ele afirmou que Donald Trump tenta impor “governos fantoches” em todo o hemisfério ocidental e que a agressão à Venezuela faz parte de uma estratégia de longo prazo para remodelar politicamente a América Latina, sob a tutela de Washington.

Para Sachs, trata-se de um projeto marcado por violações do direito internacional, desprezo pela soberania regional e pelo uso sistemático da força para produzir mudanças de regime, sobretudo em países ricos em recursos naturais como o petróleo. As declarações foram concedidas à mídia norte-americana sobre o episódio que ele classifica como “sequestro” e “violação gravíssima do direito internacional”.

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