Integrantes da equipe do embaixador Celso Amorim, assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, conversaram por telefone, ainda na manhã de sábado, com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez.
Por Redação – de Brasília
O Palácio do Planalto mobilizou a diplomacia brasileira em seguida ao sequestro de Nicolás Maduro por forças norte-americanas, ocorrida na madrugada de sábado, em uma operação que levou o líder venezuelano preso para Nova York. A atuação foi coordenada pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE).

Integrantes da equipe do embaixador Celso Amorim, assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, conversaram por telefone, ainda na manhã de sábado, com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez. Os contatos também incluíram o ex-vice-ministro da chancelaria venezuelana, Rander Peña, e Antonio Ecarri Angola, candidato independente derrotado nas eleições presidenciais de 2024.
Interlocutores do governo brasileiro relataram que representantes do chavismo reconheceram a existência de negociações prévias entre Delcy Rodríguez e o governo de Donald Trump, antes da operação militar que resultou no sequestro de Maduro. Segundo essas fontes, as tratativas não teriam sido concluídas a tempo.
Chavismo
Um emissário do Planalto chegou a afirmar a jornalistas, no Itamaraty, que Venezuela e Estados Unidos ainda “não tinham chegado a termos” e “os norte-americanos avançaram e prenderam Maduro quando viram que tinham condições”. A avaliação compartilhada com o governo brasileiro é de que Delcy Rodríguez busca demonstrar unidade interna no chavismo em um momento de forte instabilidade.
No Planalto, a principal preocupação agora é compreender se a presidente interina pode representar um caminho de transição política conduzido internamente.
— Pragmática ela é — disse um diplomata.
Consultas
Outros países vizinhos consultaram como o Brasil se posicionaria a respeito da ação militar que capturou Nicolás Maduro, ainda de acordo com fontes do MRE. Ao menos um chanceler da região fez contato com a embaixada brasileira para saber de que forma o governo Lula pretendia se manifestar.
A diplomacia sul-americana também repercutia a declaração do economista Jeffrey Sachs, um nome relevante na esfera acadêmica dos EUA. Ele afirmou que Donald Trump tenta impor “governos fantoches” em todo o hemisfério ocidental e que a agressão à Venezuela faz parte de uma estratégia de longo prazo para remodelar politicamente a América Latina, sob a tutela de Washington.
Para Sachs, trata-se de um projeto marcado por violações do direito internacional, desprezo pela soberania regional e pelo uso sistemático da força para produzir mudanças de regime, sobretudo em países ricos em recursos naturais como o petróleo. As declarações foram concedidas à mídia norte-americana sobre o episódio que ele classifica como “sequestro” e “violação gravíssima do direito internacional”.