Assessores do presidente Gustavo Petro, segundo relatos informais do Itamaraty à mídia brasiliense, procuraram técnicos do Ministério das Relações Exteriores (MRE) para discutir mecanismos de proteção internacional.
Por Redação – de Brasília
Diante das ameaças de um bloqueio naval e possível invasão dos EUA à Colômbia, nos moldes do que ocorreu com a vizinha Venezuela, o governo da Caracas buscou, nesta segunda-feira, o apoio militar do Brasil para fazer frente ao inimigo externo. O pedido, em meio à escalada de tensões, ocorre diante do temor de que a instabilidade regional se agrave e ultrapasse as fronteiras venezuelanas.

Assessores do presidente Gustavo Petro, segundo relatos informais do Itamaraty à mídia brasiliense, procuraram técnicos do Ministério das Relações Exteriores (MRE) para discutir mecanismos de proteção internacional. A avaliação na chancelaria brasileira é que Washington amplie o alcance de suas operações militares na América do Sul.
A apreensão ganhou novos contornos após declarações de Donald Trump na noite passada, a bordo do Air Force One. Um dia depois da ofensiva militar dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou no sequestro de Nicolás Maduro, em Caracas, Trump afirmou ver “com bons olhos” a possibilidade de uma ação militar contra a Colômbia.
Cocaína
Ao comentar a situação, fez ataques diretos ao presidente colombiano.
— A Colômbia é governada por um homem doente, que gosta de produzir e enviar cocaína aos Estados Unidos, e ele não vai fazer isso por muito mais tempo — ameaçou. Questionado sobre uma eventual ofensiva militar, respondeu que a ideia lhe parecia boa.
Ainda no domingo, Gustavo Petro reagiu à operação contra Maduro, classificando-a como um sequestro e questionando sua legalidade. “Sem base legal para realizar uma ação contra a soberania da Venezuela, a detenção se transforma em sequestro”, escreveu o presidente colombiano em uma rede social.
Petro é um crítico do presidente Donald Trump e se posiciona contra ações militares dos EUA na região. Diante da repercussão das falas do presidente norte-americano, Petro divulgou uma longa mensagem na qual afirmou que só responderia plenamente após confirmar o sentido exato das declarações em inglês atribuídas a Trump.
Ameaça
O presidente colombiano classificou o discurso de Trump como uma “ameaça ilegítima” e advertiu para o risco de uma crise política e social de grandes proporções caso haja qualquer ação contra seu governo.
“Hoje verei se as palavras em inglês de Trump se traduzem como diz a imprensa nacional. Portanto, mais tarde as responderei até saber o que significa realmente a ameaça ilegítima de Trump”, escreveu.
O tom da mensagem subiu quando o presidente colombiano mencionou a possibilidade de ser alvo direto de ações externas. Petro afirmou, por fim, ter dado ordens explícitas às forças armadas e à polícia em defesa da soberania nacional.
“Cada soldado da Colômbia tem uma ordem desde já: todo comandante da força pública que prefira a bandeira dos EUA à bandeira da Colômbia se retira imediatamente da instituição”, sublinhou, ressaltando que a Constituição determina que a força pública deve defender a soberania popular.