Delegação russa diz que conversas foram difíceis, mas objetivas; Washington fala em ‘progresso significativo’.
Por Redação, com Brasil de Fato – de Genebra
As negociações trilaterais entre Rússia, Ucrânia e EUA para buscar uma resolução para o conflito ucraniano, realizadas em Genebra em 17 e 18 de fevereiro, foram concluídas nesta quarta-feira. No primeiro dia, as consultas entre as delegações dos países duraram seis horas, e jornalistas não tiveram acesso à sala.

O chefe da equipe russa, Vladimir Medinsky, disse que as negociações foram “difíceis, mas profissionais”. Segundo Medinsky, a próxima reunião acontecerá em breve.
– Como vocês sabem, as negociações duraram dois dias, sendo ontem um período bastante longo, em diversos formatos, e hoje por cerca de duas horas. Foram difíceis, mas objetivas – disse Vladimir Medinsky.
De acordo com fontes próximas às negociações citadas pela agência estatal russa RIA Novosti, os representantes dos países não assinaram nenhum documento nesta quarta, acrescentando que não há datas ou horários específicos para novos contatos, mas o diálogo irá continuar.
Já o enviado presidencial dos EUA, Steve Witkoff, declarou “progresso significativo”, enquanto o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, observou avanços no aspecto militar das negociações, mas não no aspecto político. Já o chefe da delegação ucraniana, Rustem Umerov, classificou as negociações como “intensas e substanciais”.
– O próximo passo é alcançar o nível necessário de consenso para apresentar as soluções elaboradas para consideração dos presidentes – disse ele.
No final de janeiro e início de fevereiro, reuniões a portas fechadas do grupo de trabalho sobre segurança, envolvendo representantes de Moscou, Kiev e Washington, ocorreram em Abu Dhabi. Durante as conversações, foram discutidas questões pendentes no plano de paz proposto pelos Estados Unidos. Após a segunda rodada, Rússia e Ucrânia trocaram prisioneiros de guerra na proporção de 157 por 157.
Estados Unidos
De acordo com o Kremlin, os Estados Unidos reconheceram que, sem a resolução da questão territorial conforme a fórmula acordada na cúpula do Alasca, não há esperança de um acordo de longo prazo. Moscou exige que as Forças Armadas da Ucrânia se retirem da região de Donbass nos territórios onde que Kiev ainda mantém controle.
Nesta quarta-feira, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, reiterou sua posição de que a melhor maneira de resolver a questão territorial é um encontro pessoal com o presidente russo, Vladimir Putin. Ele afirmou que instruiu os negociadores ucranianos a buscarem aprovação para tal reunião. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, por sua vez, recusou-se a comentar se o assunto havia sido discutido em Genebra.