Os comentários foram feitos depois que os Estados Unidos capturaram o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.
Por Redação, com Reuters e NYT – de Washington
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou no domingo uma ação militar contra o governo da Colômbia, dizendo a repórteres que tal operação “me parece boa” e provocando uma resposta irada de Bogotá.

Os comentários foram feitos depois que os Estados Unidos capturaram o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em uma operação na madrugada de sábado e o levaram para Nova York para enfrentar acusações de tráfico de drogas.
– A Colômbia também está muito doente, administrada por um homem doente, que gosta de produzir cocaína e vendê-la aos Estados Unidos, e ele não vai continuar fazendo isso por muito tempo – disse Trump aos repórteres a bordo do avião presidencial Força Aérea Um, em uma aparente referência ao presidente da Colômbia, Gustavo Petro.
Perguntado diretamente se os EUA realizariam uma operação militar contra o país, Trump disse: “Parece bom para mim.”
A Colômbia rejeitou os comentários de Trump como uma ameaça inaceitável contra um líder eleito.
“Isso representa uma interferência indevida nos assuntos internos do país, contra as normas do direito internacional”, disse o Ministério das Relações Exteriores da Colômbia em um comunicado no final do domingo.
Ataque dos EUA a Caracas deixa mais de 80 mortos, civis e militares
O ataque dos Estados Unidos na Venezuela, ocorrido na madrugada de sábado deixou mais de 80 mortos, de acordo com oficial venezuelano, entre elas civis, mulheres, crianças e militares. A ofensiva no país sul-americano resultou na captura do presidente Nicolás Maduro, que já se encontra aprisionado em solo norte-americano.
Um dos ataques aéreos conduzidos por Washington causou a morte de uma mulher de 80 anos identificada como Rosa González. Ela vivia em um apartamento localizado num bairro pobre próximo ao aeroporto de Caracas, segundo apurou o diário norte-americano The New York Times (NYT).
Sobrinho da idosa, Wilman González relatou ao jornal ter buscado abrigo quando ouviu o ataque por volta das duas horas da madrugada. O apartamento na capital venezuelana ficou completamente destruído. Questionado, Wilman disse não saber o que fará a partir de agora.
Hospital
Um vizinho da família González afirmou ter perdido tudo com a investida militar norte-americana. Ainda conforme moradores do edifício, uma segunda mulher precisou ser levada ao hospital após o ataque.
A ação dos EUA foi uma surpresa para o falho sistema de defesa venezuelano, que sequer chegou a ser acionado durante o assalto. Entre os mortos também estão os militares que faziam a segurança pessoal do presidente Maduro. De acordo com fontes da agência inglesa de notícias Reuters, o planejamento de uma das operações mais complexas dos EUA recentemente estava em andamento há meses e incluía ensaios detalhados.
As tropas de elite dos EUA, incluindo a Força Delta do Exército, criaram uma réplica exata da residência de Maduro e praticaram como entrariam no sítio altamente fortificado. A CIA, a agência de inteligência norte-americana, tinha uma pequena equipe na Venezuela desde agosto, que foi capaz de fornecer informações sobre o padrão de vida de Maduro, o que tornou a captura dele mais fácil, de acordo com fontes da rede norte-americana de TV CNN e da Reuters.
Aval
Às 22h46 de sexta-feira, no horário de Washington, Trump deu o aval final para o que seria conhecido como ‘Operação Resolução Absoluta’, segundo o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas dos EUA, general Dan Caine.
Trump, então, passou a assistiu a uma transmissão ao vivo dos fatos, cercado por seus assessores na mansão de Mar-a-Lago, em Palm Beach, na Flórida.
Os detalhes do desenrolar da operação, que durou horas, baseia-se em entrevistas com quatro fontes familiarizadas com o assunto e em detalhes revelados pelo próprio Trump.