Rio de Janeiro, 21 de Fevereiro de 2026

Venezuela solta centenas de presos políticos após nova lei

A Venezuela libera 379 presos políticos após a promulgação da Lei de Anistia. Entidades pedem revisão de casos excluídos e destacam as implicações da nova legislação.

Sábado, 21 de Fevereiro de 2026 às 13:41, por: CdB

Primeiros opositores punidos por protestos desde 1999 começam a deixar a prisão após governo aprovar nova regra. Entidades pedem revisão de casos excluídos.

Por Redação, com DW – de Caracas

A Justiça da Venezuela libertou os primeiros 379 presos políticos após o governo sancionar a Lei de Anistia, segundo anunciou o deputado chavista Jorge Arreaza. Ele preside a comissão parlamentar encarregada de acompanhar e garantir o cumprimento da nova legislação.

Venezuela solta centenas de presos políticos após nova lei | Os familiares dos presos políticos venezuelanos realizaram inúmeras manifestações e greves de fome para pressionar pela libertação de seus parentes
Os familiares dos presos políticos venezuelanos realizaram inúmeras manifestações e greves de fome para pressionar pela libertação de seus parentes

Em uma entrevista publicada neste sábado no site do canal estatal Venezolana de Televisión (VTV), Arreaza disse que os beneficiados devem ser soltos até o final da manhã de sábado, no horário local. “Assim será a dinâmica nos próximos dias”, destacou.

Segundo ele, dos 379 pedidos de anistia, 371 correspondem a Caracas. Gonzalo Himiob, vice-presidente da ONG Foro Penal, que lidera a defesa de presos políticos, informou no X que a organização está acompanhando as libertações previstas na nova lei.

A legislação cobre, em teoria, opositores presos entre 1999 e 2026, mas beneficia exclusivamente aqueles detidos em 13 episódios de tensão e mobilização política a partir de 2002. Casos relacionados a operações militares são excluídos.

A presidente em exercício, Delcy Rodríguez, promulgou a lei na quinta-feira após sua aprovação no Parlamento e pediu “celeridade” à comissão para também revisar os casos “não contemplados” na legislação. O governo interino enfrenta pressão internacional para avançar na libertação de opositores desde a captura do ex-presidente Nicolás Maduro pelos Estados Unidos.

Segundo o Foro Penal, cerca de 650 presos políticos permaneciam encarcerados na Venezuela antes da Lei de Anistia. A ONG apresentou uma lista pedindo a revisão de outros 232 casos que não estão incluídos na nova regra.

Regra beneficia exilados

Bens confiscados de pessoas detidas não serão devolvidos, tampouco será revogada a proibição de exercer cargos públicos imposta aos condenados. A lei não detalha exatamente quais crimes seriam elegíveis para anistia.

Exilados também são beneficiados. No entanto, ela exclui aqueles que foram processados ou condenados por promover “ações militares” contra o país ou por terem participado do uso da força contra a soberania venezuelana com apoio “de Estados, corporações ou indivíduos estrangeiros”.

Também nega os benefícios para aqueles que não cessaram “a execução de ações que constituem crimes”.

A especificação pode deixar de fora opositores que continuaram sua militância a partir de outros países, como a vencedora do Prêmio Nobel da Paz María Corina Machado. Ela é acusada pelo partido governista de defender uma intervenção internacional semelhante à que derrubou Maduro.

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