A moção foi aprovada pelo Comitê de Segurança Interna e Assuntos Governamentais do Senado nesta quinta-feira por oito votos a sete.
Por Redação, com ANSA – de Washington
O Senado dos Estados Unidos considerou culpado o médico infectologista Anthony Fauci por desacato ao Congresso após invocar a Quinta Emenda da Constituição do país por ao menos 100 vezes para não responder a um interrogatório sobre sua atuação durante a pandemia da covid-19.

A moção foi aprovada pelo Comitê de Segurança Interna e Assuntos Governamentais do Senado nesta quinta-feira por oito votos a sete. Com isso, o infectologista corre o risco de enfrentar uma investigação criminal.
A votação ocorreu depois que Fauci, ex-diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas e ex-conselheiro médico da Casa Branca no governo de Joe Biden, invocou, na semana passada, a Quinta Emenda e permaneceu em silêncio, não respondendo, assim, a mais de 100 perguntas feitas pela comissão do Senado em uma audiência sobre a condução da pandemia de covid-19 e as origens do coronavírus.
O jornal The New York Times trouxe um apanhado do caso na quarta-feira, citando que o médico foi alvo de inúmeras acusações por parte dos parlamentares enquanto se mantinha em silêncio.
“Citando milhares de páginas de registros governamentais, eles [senadores] responsabilizaram Fauci pelo fechamento de escolas e pelos lockdowns, acusaram-no de enriquecer enquanto pessoas morriam, e até zombaram de suas interações com celebridades”, diz a reportagem, antes de acrescentar: “Mais importante ainda: acusaram-no de financiar pesquisas que levaram à criação do coronavírus causador da Covid e de mentir sobre isso ao Congresso sob juramento”.
“Perseguir”
O New York Times lembrou que Fauci estava na lista de personalidades que os republicanos haviam prometido “perseguir” caso Donald Trump vencesse as eleições presidenciais em 2024.
Devido a isso, Biden tomou uma decisão incomum e deu a Fauci e a outras pessoas um “perdão preventivo” no último dia de seu mandato, em 19 de janeiro de 2025. A medida do democrata abrange as atividades de Fauci de 2014 até aquela data.
O jornal também contextualizou que o Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas, liderado por Fauci por 38 anos, financiava pesquisas na China, mais precisamente no Instituto de Virologia de Wuhan, onde o vírus Sars-Cov-2, causador da Covid, começou a se propagar em 2019.
Em 2023, autoridades americanas de fiscalização apontaram falhas na supervisão do aporte à entidade.
No entanto, até o momento, não há evidências de que os estudos em Wuhan tenham causado a pandemia, assim como ficou comprovado que os vírus analisados nos experimentos não estão relacionados à covid-19.