A presença de Alcolumbre na viagem é vista por aliados no governo como um passo estratégico para abrir canal de negociação direta com o Senado.
Da Redação – de Brasília
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) embarca, nesta segunda-feira, com os presidentes do Congresso, senador Davi Alcolumbre (UB-AP), e da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) na comitiva que cumprirá compromissos na Turquia e Filipinas, com retorno previsto para 16 de novembro.

A presença de Alcolumbre na viagem é vista por aliados no governo como um passo estratégico para abrir canal de negociação direta com o Senado. O objetivo é alcançar um consenso em torno de um novo nome para a vaga na Corte antes de formalizar o anúncio, evitando reveses anteriores.
A articulação ganha contornos decisivos após o desgaste registrado no ano passado, quando Lula anunciou a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias. Em maio, contudo, a indicação acabou sendo rejeitada pelo Plenário do Senado Federal após movimentação política liderada pelo próprio presidente da Casa.
Negociação
Diante desse cenário, a expectativa do Palácio do Planalto é de que nenhuma mudança na composição ministerial ou decisão sobre a vaga no STF seja sacramentada antes do desembarque da delegação, de volta ao Brasil. A oportunidade, no entanto, permitirá que os interlocutores avaliem possíveis nomes para a Corte Suprema, uma vez que Lula terá no mínimo quatro indicações ao longo de seu próximo mandato.
Ainda nesta sexta-feira, o presidente conversou com o deputado André Janones (Rede-MG) e o convidou a acompanhá-lo na viagem, para fazer transmissões ao vivo durante o percurso. O presidente sugeriu que Janones o acompanhe para fazer manter contato com apoiadores e retransmitir cada passo da agenda oficial. Após a passagem pela Turquia, Lula afirmou que realizará uma viagem de trabalho às Filipinas e repetiu o convite ao deputado, que o aceitou prontamente.
— Podemos fazer uma live das Filipinas para cá. É o nosso exército itinerante no mundo — comemorou.
Janones ganhou projeção na campanha do segundo turno ao criar o chamado ‘Exército do Lula’. A mobilização reuniu mais de 10 milhões de seguidores em um canal do WhatsApp que, segundo analistas políticos, foi a principal ponta de lança na vitória do candidato petista.
Lula havia chegado em segundo lugar, no primeiro turno, e realizou um feito inédito na História moderna do país ao conseguir uma virada sobre o adversário, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), vulgo ’01’, por mais de 4 milhões de votos. Logo após a derrota, ’01’ fugiu para os EUA, com medo de ser preso em face dos processos a que responde.