Lula ainda não sinalizou sua preferência para a Fazenda no quarto mandato, e outros nomes podem surgir, disseram as pessoas, que pediram anonimato para discutir conversas internas.
Por Redação Bloomberg – de Brasília
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tende a definir o nome de seu próximo ministro da Fazenda entre o seu círculo de máxima confiança, enquanto busca melhorar a relação com investidores, sem abrir mão da orientação de esquerda de seu governo.

Entre os cotados para comandar a economia estão o governador do Piauí, Rafael Fonteles, nome em ascensão no PT e reconhecido pela disciplina fiscal; o vice-presidente Geraldo Alckmin, de centro, e com relações de longa data com o empresariado. Ex-governador de São Paulo, Alckmin foi adversário de Lula por anos antes de se tornar seu vice em 2022. A aliança simbolizou a ampla coalizão formada naquele ano, com o ex-tucano contribuindo para aproximar algumas propostas de posições políticas e econômicas mais moderadas.
Escolhido
O atual ministro da Fazenda, Dario Durigan, que mantém diálogo frequente com investidores também é um nome forte na lista do presidente; além do ministro do Planejamento, Bruno Moretti, especialista em Orçamento e próximo de Lula, segundo pessoas a par das discussões ouvidas pela agência norte-americana de notícias Bloomberg News.
Lula ainda não sinalizou sua preferência para a Fazenda no quarto mandato, e outros nomes podem surgir, disseram as pessoas, que pediram anonimato para discutir conversas internas. O escolhido, porém, precisará ter força política suficiente para implementar a agenda do presidente e capacidade de construir credibilidade junto ao mercado financeiro, em meio às preocupações com a trajetória fiscal do país.
Mercado
A articulação em torno do próximo ministro, no entanto, já está em andamento. Assessores presidenciais procuraram empresários para discutir e avaliar alternativas, segundo pessoas familiarizadas com o assunto. Um executivo envolvido nas conversas disse que o perfil ideal seria o de alguém ligado ao PT, mas sem ser um nome excessivamente identificado com a ala mais à esquerda do partido. Em outras palavras, alguém capaz de transitar entre Lula e o mercado.
A decisão será um dos primeiros e mais importantes sinais de como Lula pretende conciliar a manutenção das políticas sociais que contribuíram para sua reeleição com as pressões por ajuste fiscal.
O déficit nominal do Brasil está próximo de 10% do PIB, enquanto a dívida pública atingiu nível recorde. Investidores cobram um esforço maior para conter o endividamento depois que Lula ampliou gastos durante a campanha com medidas que incluíram subsídios aos combustíveis e ao crédito.
Correção
Lula, no entanto, tem demonstrado pouca disposição para promover um ajuste fiscal mais intenso defendido pelo mercado. Os planos discutidos com seus assessores preveem uma correção gradual, que levaria o superávit primário — que exclui o pagamento de juros — a 1,5% do PIB até o fim do seu quarto mandato.
A estratégia deixa de fora algumas das principais demandas dos investidores, como o fim dos aumentos reais do salário mínimo e um limite bem menor para o crescimento dos gastos públicos.