O MDB e o PSD, que adotaram posição de neutralidade no pleito, somam-se à linha da federação UB/PP e miram cargos no primeiro escalão.
Por Redação – de Brasília
Partidos que integram o chamado ‘Centrão’ já acenam à base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o próximo mandato. As legendas mais ao centro movimentam-se na tentativa de reduzir a hegemonia do PT na articulação política e reivindicam a pasta das Relações Institucionais; além de postos no Legislativo.

A secretaria que articula com o Congresso e a Casa Civil, no entanto, permanecem historicamente sob o comando do PT. Idem a Liderança do Governo na Câmara, no Senado e no Congresso. Agora, diante do resultado favorável à direita nas eleições, a despeito de terem apoiado Flávio Bolsonaro (PL) na disputa de segundo turno, a federação União Brasil (UB)-Partido Progressista (PP) e o Republicanos (Rep) figuram entre as forças partidárias abertas a apoiar a gestão petista com o intuito de assegurar governabilidade parlamentar e, por óbvio, os cargos disponíveis no governo.
O MDB e o PSD, que adotaram posição de neutralidade no pleito, somam-se à linha da federação UB/PP e miram cargos no primeiro escalão. Embora tenham integrado os ministérios do terceiro mandato presidencial, os cinco blocos políticos ainda não formalizaram, de forma clara, se buscarão proximidade com a base do governo, com a oposição ou se permanecem independentes.
Comando
A necessidade de descentralizar o comando foi enfatizada pelo líder do Republicanos na Câmara, Augusto Coutinho (PE), que ressaltou que os diálogos oficiais ainda não começaram.
— O governo tem que ser amplo. O presidente vai precisar de apoio e não pode fechar só com o PT no comando político. Isso foi um erro nesse governo Lula 3 — disse o parlamentar ao diário conservador carioca ‘O Globo’, nesta segunda-feira.
Na mesma linha, o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, confirmou que a sigla já foi contatada por interlocutores do Planalto.
— O governo já nos procurou desta vez, sim. Lula precisa ter uma postura para unir o país e aumentar o apoio, algo que não conseguiu no terceiro mandato — adiantou Kassab em entrevista ao jornal.
Cenário
Na outra ponta, alas petistas advertem para a necessidade de cautela e critérios rígidos na negociação com a direita. Atual ministro das Relações Institucionais, José Guimarães (PT) argumenta que a entrega de cargos a esses partidos precisa estar vinculada ao compromisso real de votos no Parlamento. Essa contrapartida nem sempre se concretizou ao longo do terceiro mandato.
A urgência de uma base sólida é reforçada pelas projeções na Câmara e no Senado, onde o Executivo enfrentará um cenário ainda mais adverso diante do crescimento expressivo do PL.
A legenda oposicionista passará a contar com 121 deputados federais no próximo ano — um ganho de 24 cadeiras em relação à bancada atual — e ocupará 29 vagas no Senado, o que representa mais de um terço daquela Casa. Diante desse quadro, o PT, que dispõe de 70 deputados, dependerá inevitavelmente da composição com União Brasil, PP, Republicanos, PSD e MDB para obter maioria em votações cruciais.
Exigências
Paralelamente, Lula atua para viabilizar a recondução dos presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP). Auxiliares e articuladores concordam que o Palácio do Planalto ficará mais exposto às exigências das duas lideranças para aprovar projetos estratégicos.
Há também a avaliação interna de que o Executivo precisa estruturar uma base extremamente coesa na Câmara para compensar os obstáculos no Senado, onde a oposição ampliou sua presença e deve impor pautas de embate direto com o governo e o Supremo Tribunal Federal (STF).