No momento, diante do reconhecimento da vitória de Lula por instituições nacionais, partidos políticos e líderes internacionais, os analistas ligados ao governo não veem espaço para qualquer contestação quanto à legitimidade do processo eleitoral brasileiro.
Por Redação – de Brasília
Na avaliação do núcleo político do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do Itamaraty, na semana seguinte à vitória histórica nas urnas contra as forças de ultradireita que avançaram até a chegada em primeiro lugar, no primeiro turno das eleições brasileiras, a possível interferência do presidente norte-americano, Donald Trump, nos destinos políticos do país está praticamente fora de questão. O mandatário que hoje ocupa a Casa Branca vive um cenário de isolamento e queda de prestígio junto aos eleitores.

No quadro atual, a presença do candidato derrotado na disputa contra Lula, o senador Flávio Bolsonaro, vulgo ’01’, atualmente refugiado nos EUA depois de descumprir uma ordem direta do Supremo Tribunal Federal (STF) para entregar seus passaportes, torna-se mais um peso do que a bandeira de um Trump magnânimo e dileto apoiador das causas conservadoras.
No momento, diante do reconhecimento da vitória de Lula por instituições nacionais, partidos políticos e líderes internacionais, os analistas ligados ao governo não veem espaço para qualquer contestação quanto à legitimidade do processo eleitoral brasileiro. Não há, ainda, qualquer reação diplomática às manifestações do governo norte-americano contra o pleito concluído no último domingo.
Resultado
Assessores próximos de Lula entendem, segundo a apuração da mídia conservadora, que a vitória do presidente brasileiro com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de ’01′, enfraqueceu as tentativas de questionamento do resultado. Lula recebeu mais de 64 milhões de votos, superando o adversário por aproximadamente 4,4 milhões.
O resultado, de imediato, foi reconhecido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por representantes dos Poderes, observadores internacionais e partidos políticos brasileiros, incluindo o PL, legenda de Flávio Bolsonaro. No cenário internacional; além dos Estados Unidos, apenas Argentina e Israel ainda não haviam reconhecido oficialmente a vitória de Lula.
O presidente argentino, Javier Milei, foi o único chefe de Estado sul-americano a não cumprimentar o brasileiro. Outros governantes de direita, como Santiago Peña, do Paraguai, e Daniel Noboa, do Equador, reconheceram o resultado.
Pragmatismo
Já o mandatário norte-americano afirmou que pretende conversar com Lula e disse que o brasileiro havia solicitado neutralidade dos EUA durante a disputa eleitoral. Questionado sobre quem considera o legítimo presidente do Brasil, Trump não respondeu, depois de criticar as eleições brasileiras: “uma desgraça”.
Até aquele momento não havia solicitação de telefonema entre os dois presidentes. Uma oportunidade de encontro poderá ocorrer durante a Cúpula de Líderes do G20, prevista para dezembro, nos Estados Unidos. Apesar das divergências, integrantes do governo brasileiro defendem a manutenção de uma relação pragmática com Washington, especialmente em áreas como comércio e segurança pública.
Auxiliares de Lula também consideram que o resultado eleitoral enfraqueceu a articulação internacional de ’01′, que deixou o Brasil na terça-feira, em fuga para os Estados Unidos. Já em território norte-americano, o senador divulgou uma carta em que se declarou “o verdadeiro presidente eleito do Brazil”. Poucos minutos depois, publicou uma nova versão do documento, retirando a afirmação e passando a se apresentar como “líder do Brasil”.