Rio de Janeiro, 30 de Outubro de 2026

Itamaraty aconselha cautela com Trump, mas descarta ação direta dos EUA

No momento, diante do reconhecimento da vitória de Lula por instituições nacionais, partidos políticos e líderes internacionais, os analistas ligados ao...

Sexta, 30 de Outubro de 2026 às 16:54, por: CdB

No momento, diante do reconhecimento da vitória de Lula por instituições nacionais, partidos políticos e líderes internacionais, os analistas ligados ao governo não veem espaço para qualquer contestação quanto à legitimidade do processo eleitoral brasileiro.

Por Redação – de Brasília

Na avaliação do núcleo político do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do Itamaraty, na semana seguinte à vitória histórica nas urnas contra as forças de ultradireita que avançaram até a chegada em primeiro lugar, no primeiro turno das eleições brasileiras, a possível interferência do presidente norte-americano, Donald Trump, nos destinos políticos do país está praticamente fora de questão. O mandatário que hoje ocupa a Casa Branca vive um cenário de isolamento e queda de prestígio junto aos eleitores.

Itamaraty pede cautela com Trump

No quadro atual, a presença do candidato derrotado na disputa contra Lula, o senador Flávio Bolsonaro, vulgo ’01’, atualmente refugiado nos EUA depois de descumprir uma ordem direta do Supremo Tribunal Federal (STF) para entregar seus passaportes, torna-se mais um peso do que a bandeira de um Trump magnânimo e dileto apoiador das causas conservadoras.

No momento, diante do reconhecimento da vitória de Lula por instituições nacionais, partidos políticos e líderes internacionais, os analistas ligados ao governo não veem espaço para qualquer contestação quanto à legitimidade do processo eleitoral brasileiro. Não há, ainda, qualquer reação diplomática às manifestações do governo norte-americano contra o pleito concluído no último domingo.

Resultado

Assessores próximos de Lula entendem, segundo a apuração da mídia conservadora, que a vitória do presidente brasileiro com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de ’01′, enfraqueceu as tentativas de questionamento do resultado. Lula recebeu mais de 64 milhões de votos, superando o adversário por aproximadamente 4,4 milhões.

O resultado, de imediato, foi reconhecido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por representantes dos Poderes, observadores internacionais e partidos políticos brasileiros, incluindo o PL, legenda de Flávio Bolsonaro. No cenário internacional; além dos Estados Unidos, apenas Argentina e Israel ainda não haviam reconhecido oficialmente a vitória de Lula.

O presidente argentino, Javier Milei, foi o único chefe de Estado sul-americano a não cumprimentar o brasileiro. Outros governantes de direita, como Santiago Peña, do Paraguai, e Daniel Noboa, do Equador, reconheceram o resultado.

Pragmatismo

Já o mandatário norte-americano afirmou que pretende conversar com Lula e disse que o brasileiro havia solicitado neutralidade dos EUA durante a disputa eleitoral. Questionado sobre quem considera o legítimo presidente do Brasil, Trump não respondeu, depois de criticar as eleições brasileiras: “uma desgraça”.

Até aquele momento não havia solicitação de telefonema entre os dois presidentes. Uma oportunidade de encontro poderá ocorrer durante a Cúpula de Líderes do G20, prevista para dezembro, nos Estados Unidos. Apesar das divergências, integrantes do governo brasileiro defendem a manutenção de uma relação pragmática com Washington, especialmente em áreas como comércio e segurança pública.

Auxiliares de Lula também consideram que o resultado eleitoral enfraqueceu a articulação internacional de ’01′, que deixou o Brasil na terça-feira, em fuga para os Estados Unidos. Já em território norte-americano, o senador divulgou uma carta em que se declarou “o verdadeiro presidente eleito do Brazil”. Poucos minutos depois, publicou uma nova versão do documento, retirando a afirmação e passando a se apresentar como “líder do Brasil”.

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