Rio de Janeiro, 29 de Outubro de 2026

Bolsonaro quer que o PL indique seu próprio candidato à Presidência do Senado

Na conversa com o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, nesta quinta-feira, o ex-presidente rejeitou a possibilidade de o PL apoiar a permanência de...

Quinta, 29 de Outubro de 2026 às 18:18, por: CdB

Na conversa com o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, nesta quinta-feira, o ex-presidente rejeitou a possibilidade de o PL apoiar a permanência de Alcolumbre no cargo e opinou que a sigla deve reafirmar sua força política na disputa pelo comando do Congresso.

Da Redação – de Brasília

O ex-mandatário neofascista Jair Bolsonaro (PL), ainda impactado com a fuga de seu filho ’01’, o senador Flávio Bolsonaro, voltou a indicar que seu partido apresente um candidato próprio à presidência do Senado Federal em 2027, contrariando as articulações pela reeleição de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). A posição reforça a resistência de setores da legenda a um acordo com o atual comandante da Casa e sinaliza uma disputa pelo controle do Legislativo no início do novo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O ex-presidente Jair Bolsonaro

Na conversa com o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, nesta quinta-feira, o ex-presidente rejeitou a possibilidade de o PL apoiar a permanência de Alcolumbre no cargo e opinou que a sigla deve reafirmar sua força política na disputa pelo comando do Congresso.

Bolsonaro acredita que o momento exige uma atuação mais incisiva do PL, descrito como o maior partido do Congresso. A avaliação é de que a legenda deve utilizar seu peso parlamentar para buscar protagonismo na próxima legislatura, em vez de negociar apoio à continuidade da atual direção do Senado.

Respaldo

A resistência à reeleição de Alcolumbre ocorre em meio às negociações sobre a composição das Mesas Diretoras do Congresso. O atual presidente do Senado tem buscado aproximação com parlamentares de direita, inclusive por meio de sinalizações favoráveis à aprovação de uma anistia aos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.

A possibilidade de apoiar a anistia é vista como uma tentativa de Alcolumbre de conquistar o respaldo de ao menos uma parcela da bancada do PL. A estratégia, entretanto, enfrenta a oposição de Bolsonaro, que prefere uma candidatura própria para ampliar a influência da legenda sobre as decisões do Senado.

Além da disputa pela Presidência da Casa, Bolsonaro defendeu que os parlamentares do PL trabalhem pela aprovação de uma anistia geral e irrestrita aos envolvidos na trama golpista e nos acontecimentos de 8 de janeiro. A intenção do ex-presidente é que a proposta seja tratada como prioridade logo no início da próxima legislatura, em 2027.

Recondução

A pauta permanece entre as principais reivindicações do bolsonarismo e deve integrar as negociações políticas envolvendo a escolha dos novos dirigentes do Congresso. Embora Alcolumbre tenha sinalizado disposição para discutir a anistia, a posição de Bolsonaro indica que uma eventual aproximação do presidente do Senado com essa agenda não seria suficiente, por si só, para assegurar o apoio do PL à sua recondução.

O cenário, no entanto, é diferente na Câmara. Enquanto Bolsonaro apoia uma candidatura própria ao Senado, integrantes do PL avaliam que ainda existe espaço para negociar o apoio à reeleição do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

Uma eventual composição dependeria de compromissos de Motta com pautas consideradas prioritárias pela oposição e de um acordo para a distribuição de cargos na Mesa Diretora, seguindo um modelo semelhante ao adotado na atual gestão. O PL também pretende ampliar sua presença no comando de comissões estratégicas da Câmara, especialmente a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a Comissão de Relações Exteriores e a Comissão de Segurança Pública.

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