Fuga para os Estados Unidos expõe contradições do senador, que prometeu liderar a oposição e agora deixa aliados em meio à desarticulação da direita.
Por Murilo da Silva – de Brasília
O senador Flávio Bolsonaro (PL) fugiu para os Estados Unidos, com a esposa e as duas filhas, após perder a eleição para o presidente Lula (PT). Nesta quarta-feira, ele chegou a Miami, na Flórida (EUA), por uma rota de fuga que passou pela Argentina e Equador.

Mais do que uma demonstração de covardia e medo da Justiça, diante de tantas acusações de crime nas costas, Flávio abandona, com essa atitude, os quase 60 milhões de brasileiros que confiaram seus votos a ele.
Ao deixar esses milhões de eleitores para trás, o Filho 01 de Jair Bolsonaro foge para defender seus interesses, provando que o Brasil e os brasileiros que o apoiavam nunca foram a sua prioridade.
É evidente que, depois de algum tempo, ele dirá que pretende organizar uma reação ao governo eleito a partir dos EUA, porém a marca de “fujão” e “covarde” já colou nele, inclusive entre os seus apoiadores.
O grupo político do senador, formado majoritariamente por integrantes do Partido Liberal, fala agora em “juntar os cacos”, pois a saída repentina de Flávio do País fratura e diminui a força da oposição ao governo Lula. Um dos mais prejudicados é o senador Rogério Marinho (PL), que almeja se lançar à presidência do Senado, mas agora terá mais dificuldades em atrair os votos do centrão para essa empreitada.
DNA golpista
O histórico da família Bolsonaro é de fuga das responsabilidades jurídicas. Jair Bolsonaro flertou com a fuga quando se refugiou na embaixada da Hungria no Brasil após ter o passaporte apreendido pela Polícia Federal, em 2024. Antes disso, abandonou o País rumo aos EUA antes mesmo de seu mandato acabar, mas depois optou por retornar.
Já Eduardo Bolsonaro resolveu fugir e permanecer na terra do Tio Sam. Desde 2025, ele está lá, organizando ações para atacar o Brasil, como o tarifaço. No período, perdeu o mandato como deputado federal e foi condenado pela Justiça por coação no curso do processo, ao pressionar autoridades brasileiras nos julgamentos da tentativa de golpe de Estado do 8 de Janeiro.
Agora, Flávio não nega o DNA e deixa seus órfãos no Brasil, com medo de responder nos processos que correm no Supremo Tribunal Federal (STF).
Na segunda-feira, a PF solicitou a entrega dos passaportes do senador, que não os entregou e optou pela fuga.
Tudo isso aconteceu não sem antes Flávio bradar que organizaria a extrema direita brasileira e que seria um líder da oposição. Ele também havia dito em vídeo que não sairia do País e que entregaria os passaportes.
Segundo a colunista do diário conservador carioca O Globo Bela Megale, a fuga de Flávio Bolsonaro já estava organizada semanas antes da derrota, mas foi colocada de lado após o 1º turno.
Aliados utilizaram informações desencontradas para ajudar na fuga. O senador Rogério Marinho negou o plano no momento em que o paradeiro do candidato derrotado já era suspeito. O ex-secretário de Comunicação do governo Jair Bolsonaro, Fábio Wajngarten, também desmentiu a fuga. O governo da Argentina havia negado a entrada no país, mas confirmou a informação muitas horas depois. Também houve informações de que Flávio já estaria nos EUA, quando na verdade ainda atravessaria a fronteira com a Argentina.
– Eu nunca pensei em sair do país. Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar – havia afirmado Flávio.
Murilo da Silva, é jornalista.
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