Segundo o documento encaminhado na véspera à PGR, os valores foram transferidos pela sociedade Nilo & Almeida Advogados Associados, da qual Edvaldo é sócio, à Flávio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia.
Por Redação – de Brasília
O deputado Rui Falcão (PT-SP) apresentou à Procuradoria-Geral da República (PGR) um pedido de investigação contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ou filho ’01’ como também é conhecido, e o advogado Edvaldo Nilo de Almeida por suspeitas de corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. A representação questiona pagamentos de R$ 4 milhões feitos ao escritório de advocacia do senador em 2025, meses antes do congressista participar da votação que aprovou a recondução de Edvaldo ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).

Segundo o documento encaminhado na véspera à PGR, os valores foram transferidos pela sociedade Nilo & Almeida Advogados Associados, da qual Edvaldo é sócio, à Flávio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia. A denúncia foi elaborada com base em reportagens publicadas pela mídia conservadora entre 20 e 21 de outubro de 2026; além de registros oficiais do Senado.
Rui Falcão sustenta que a proximidade entre os pagamentos e a deliberação parlamentar exige esclarecimentos sobre uma possível relação entre as transferências financeiras e o exercício do mandato. O deputado solicita a abertura de procedimento investigatório ou de inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF); além de medidas destinadas a identificar a origem dos recursos, comprovar a efetiva prestação dos serviços advocatícios e verificar a atuação do senador na votação.
Pagamentos
De acordo com a representação, o escritório de Flávio Bolsonaro emitiu duas notas fiscais de R$ 2 milhões cada, em 6 de agosto e 17 de outubro de 2025. Ambas apresentavam apenas a descrição “Assessoria Jurídica”, sem detalhamento dos clientes atendidos ou das atividades realizadas.
A segunda transferência foi registrada em 21 de outubro de 2025, apenas 22 dias antes de o Senado votar a recondução de Edvaldo Nilo ao CNMP. As notas fiscais indicavam uma conta da sociedade de advocacia do senador no Banco de Brasília (BRB).
Em 29 de outubro, a Câmara dos Deputados aprovou a indicação do advogado para permanecer no conselho. A proposta seguiu para o Senado, onde foi examinada pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) e posteriormente submetida ao plenário.
Comissão
No dia 12 de novembro de 2025, a CCJ aprovou o nome de Edvaldo por 26 votos a 1. Na mesma data, o plenário confirmou a recondução por 54 votos favoráveis, três contrários e uma abstenção.
Os registros oficiais apontam que Flávio Bolsonaro participou da votação plenária e não declarou impedimento. A representação também destaca que ele fez uso da palavra durante a reunião da CCJ responsável pela análise da indicação.
Como as votações ocorreram de forma secreta, os documentos públicos não permitem identificar o voto individual do senador. O Metrópoles, citado na representação, informou que Flávio votou favoravelmente ao advogado tanto na comissão quanto no plenário.
No Senado
Rui Falcão argumenta que a participação do senador, sem declaração de impedimento, deve ser examinada à luz do Regimento Interno do Senado, que estabelece regras para parlamentares com interesse pessoal nas matérias submetidas à deliberação.
A representação sustenta que os pagamentos milionários, associados à participação do senador na votação de interesse direto do responsável pelo escritório pagador, justificam a investigação de uma eventual contrapartida financeira.