Rio de Janeiro, 29 de Outubro de 2026

PL desautoriza Flávio Bolsonaro a questionar eleições brasileiras

Nas últimas eleições, o PL saiu fortalecido e o presidente da agremiação partidária teme que a repercussão negativa da fuga de Flávio e da carta golpista...

Quinta, 29 de Outubro de 2026 às 18:03, por: CdB

Nas últimas eleições, o PL saiu fortalecido e o presidente da agremiação partidária teme que a repercussão negativa da fuga de Flávio e da carta golpista corroa parte do capital político conquistado.

Por Redação – de Brasília

Presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto desautorizou o candidato derrotado à Presidência da República, senador Flávio Bolsonaro, vulgo ’01’ — foragido nos EUA — a se autodeclarar “presidente dos Estados Unidos do Brazil”, segundo pronunciamento divulgado na véspera. Costa Neto afirmou, nesta quinta-feira, que “não gostou” da carta golpista, em desacordo com decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), publicada nas redes sociais.

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto

A declaração ocorreu na chegada de Valdemar ao condomínio onde o ex-mandatário neofascista Jair Bolsonaro (PL) cumpre prisão domiciliar, em visita autorizada pelo ministro do STF Alexandre de Moraes. O documento, que não reconhece o resultado das eleições, gerou repúdio na direita e acendeu o alerta no PL sobre os riscos de desgaste político para o partido.

— Não gostei. Não gostei — respondeu Valdemar Costa Neto a jornalistas ao chegar para a visita ao preso, condenado pelo STF por liderar o golpe de Estado fracassado em 8 de Janeiro. Assim, o presidente do PL afastou-se de um senador da própria legenda.

Repercussão

Nas últimas eleições, o PL saiu fortalecido e o presidente da agremiação partidária teme que a repercussão negativa da fuga de Flávio e da carta golpista corroa parte do capital político conquistado. O documento passou por ao menos duas versões públicas. Na original, Flávio se autoproclamava “verdadeiro presidente do Brasil” e “presidente eleito”.

Cerca de uma hora depois, as expressões foram trocadas por “líder do Brasil” e “líder”, mas os trechos em que o senador não reconhece o resultado do pleito e afirma que as eleições foram fraudadas permaneceram intactos, sem apresentação de provas.

O PL, no entanto, reconheceu o resultado nas urnas e pediu esclarecimentos à Justiça; além de contrariar a confirmação da vitória de Lula pelo TSE. A crítica pública de Valdemar Costa Neto, portanto, não é um gesto isolado: representa o esforço do PL de preservar sua imagem institucional e evitar ser arrastado por um discurso que já custou caro ao bolsonarismo, inclusive com a condenação de Jair Bolsonaro pelo STF.

Cautela

Na outra ponta do espectro político, a orientação entre integrantes do governo Lula é evitar respostas às declarações de ’01’. Aliados do presidente aconselham cautela e pretendem concentrar a atuação do Executivo na condução do país. Ao PT coube cobrar uma manifestação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a contestação do resultado pelo parlamentar.

Cada pronunciamento de ’01’, segundo interlocutores, ampliaria a exposição de um adversário que não reconheceu o resultado das urnas. A diretriz de ignorar eventuais declarações busca impedir que a atuação do golpista no exterior ocupe o centro da agenda governamental.

Nesse cenário, integrantes do governo consideram que a carta golpista na qual Flávio se autoproclamou presidente eleito agravou seu desgaste. Na avaliação desses assessores, o documento compromete a credibilidade do parlamentar e demonstra desrespeito aos quase 60 milhões de votos que recebeu.

Incômodo

A tentativa de ’01′ de se apresentar como o verdadeiro presidente eleito do Brasil, no entanto, causou desconforto nos bastidores do governo norte-americano. A declaração, incluída em uma carta divulgada pelo senador após sua chegada ao território norte-americano, foi considerada inadequada por integrantes da administração de Donald Trump, apesar da autorização concedida para sua entrada no país.

A Casa Branca, segundo apuraram as agências internacionais, não deseja que ’01′ reivindique a condição de presidente brasileiro. O episódio ampliou as preocupações de Washington sobre os impactos políticos da presença da família Bolsonaro nos Estados Unidos e seus possíveis reflexos nas relações diplomáticas com o Brasil.

Um integrante da administração norte-americana, não identificado nas matérias publicadas sobre o caso na mídia norte-americano, manifestou, em conversa reservada, que o governo dos Estados Unidos não gostaria que Flávio Bolsonaro se apresentasse como presidente de fato do Brasil. De imediato, a carta foi retificada, retirando o termo e o substituindo por “líder do Brasil”.

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