Rio de Janeiro, 03 de Novembro de 2026

Oposição articula saída de Netanyahu do governo israelense

Lideranças cerram fileiras em torno de Gadi Eisenkot, mas vivem um impasse em torno do papel dos árabes na futura coalizão.

Terça, 03 de Novembro de 2026 às 13:50, por: CdB

Lideranças cerram fileiras em torno de Gadi Eisenkot, mas vivem um impasse em torno do papel dos árabes na futura coalizão.

Por Redação, com CartaCapital – de Jerusalém

O bloco opositor liderado pelo centrista Gadi Eisenkot comprometeu-se nesta terça-feira a articular com urgência um novo governo para destituir o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e evitar que o país seja arrastado a mais uma eleição.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu

No primeiro encontro dos cinco partidos de oposição após o pleito da semana passada — realizado em um hotel em Herzliya —, as lideranças cerravam fileiras em torno de Eisenkot, mas enfrentam um impasse em torno do papel dos deputados árabes na futura coalizão.

O xadrez parlamentar é complexo: o grupo leal a Netanyahu assegurou 53 das 120 cadeiras do Knesset (sendo 27 do Likud), a aliança de Eisenkot obteve 48, e os partidos árabes conquistaram 19 assentos, impulsionados pela reação à extrema-direita no poder. Para alcançar a maioria de 61 votos, a oposição precisaria de alguma composição com essa bancada, que representa cerca de 20% da população.

Eisenkot impôs como condições, no entanto, o reconhecimento de Israel como Estado judeu e a classificação do Hamas como grupo terrorista, termos que geram fortes resistências entre boa parte das lideranças árabes, embora elas tenham condenado os ataques de 7 de outubro de 2023.

Anti-Netanyahu

A questão divide profundamente o bloco anti-Netanyahu. Enquanto alas de direita, representadas pelo ex-primeiro-ministro Naftali Bennett e por Avigdor Liberman, rejeitam categoricamente qualquer acordo formal com legendas árabes, Yair Golan (esquerda), de Os Democratas, defende a aliança aberta como um imperativo contra o racismo e uma necessidade para garantir estabilidade. Do lado árabe, Yousef Jabareen exortou a oposição a aceitar a realidade política para derrotar o atual premiê.

Apesar de Netanyahu tentar manobrar com a proposta de um governo de união nacional sob sua liderança, todos os adversários descartam negociar com ele, citando as acusações de corrupção e sua responsabilidade pelas falhas que permitiram a ofensiva do Hamas há três anos.

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