Lideranças cerram fileiras em torno de Gadi Eisenkot, mas vivem um impasse em torno do papel dos árabes na futura coalizão.
Por Redação, com CartaCapital – de Jerusalém
O bloco opositor liderado pelo centrista Gadi Eisenkot comprometeu-se nesta terça-feira a articular com urgência um novo governo para destituir o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e evitar que o país seja arrastado a mais uma eleição.

No primeiro encontro dos cinco partidos de oposição após o pleito da semana passada — realizado em um hotel em Herzliya —, as lideranças cerravam fileiras em torno de Eisenkot, mas enfrentam um impasse em torno do papel dos deputados árabes na futura coalizão.
O xadrez parlamentar é complexo: o grupo leal a Netanyahu assegurou 53 das 120 cadeiras do Knesset (sendo 27 do Likud), a aliança de Eisenkot obteve 48, e os partidos árabes conquistaram 19 assentos, impulsionados pela reação à extrema-direita no poder. Para alcançar a maioria de 61 votos, a oposição precisaria de alguma composição com essa bancada, que representa cerca de 20% da população.
Eisenkot impôs como condições, no entanto, o reconhecimento de Israel como Estado judeu e a classificação do Hamas como grupo terrorista, termos que geram fortes resistências entre boa parte das lideranças árabes, embora elas tenham condenado os ataques de 7 de outubro de 2023.
Anti-Netanyahu
A questão divide profundamente o bloco anti-Netanyahu. Enquanto alas de direita, representadas pelo ex-primeiro-ministro Naftali Bennett e por Avigdor Liberman, rejeitam categoricamente qualquer acordo formal com legendas árabes, Yair Golan (esquerda), de Os Democratas, defende a aliança aberta como um imperativo contra o racismo e uma necessidade para garantir estabilidade. Do lado árabe, Yousef Jabareen exortou a oposição a aceitar a realidade política para derrotar o atual premiê.
Apesar de Netanyahu tentar manobrar com a proposta de um governo de união nacional sob sua liderança, todos os adversários descartam negociar com ele, citando as acusações de corrupção e sua responsabilidade pelas falhas que permitiram a ofensiva do Hamas há três anos.