Rio de Janeiro, 26 de Outubro de 2026

Netanyahu enfrenta cobrança nas urnas após ataque do Hamas

Na primeira eleição após os ataques de 7 de outubro de 2023, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu encara forte cobrança popular e queda nas...

Segunda, 26 de Outubro de 2026 às 12:37, por: CdB

Na primeira eleição após os ataques de 7 de outubro de 2023, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu encara forte cobrança popular e queda nas pesquisas pelo pior fracasso de segurança do país.

Por Redação, com Reuters – de Jerusalém

Gal Cohen caminha ao longo ‌de um muro memorial onde estão gravados os nomes dos homens, mulheres e crianças mortos no ataque do Hamas ao seu kibutz, em 7 de outubro de 2023. Para ele, a ideia de que o homem que liderava Israel naquela época — e continua liderando desde então — possa ser reeleito na terça-feira é dolorosa.

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu

Um em cada dez moradores de seu kibutz, Be’eri, estava entre as 1,2 mil pessoas mortas no ⁠ataque surpresa do Hamas. Dezenas estavam entre os 251 reféns levados para Gaza. Foi o dia mais sangrento ‌da história de Israel.

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu deveria ter assumido a responsabilidade e renunciado, disse Cohen, de 61 anos, para quem o fato de ele ter cumprido um mandato completo no cargo é ‌um tapa na cara. A eleição de terça-feira, disse ele, é ‌crucial para Israel.

– Se este governo permanecer, muitos corações e mentes ficarão despedaçados. Será realmente difícil ⁠seguir em frente – declarou Cohen.

Muitos dos oponentes de Netanyahu veem a eleição como uma oportunidade, finalmente, de fazer um acerto de contas há muito adiado pelo pior fracasso de segurança em gerações. Mas mesmo que o primeiro-ministro mais longevo de Israel perca sua maioria, ele pode muito bem escapar do veredicto decisivo que seus adversários buscam.

Netanyahu rejeitou a culpa pela falha e resistiu aos apelos por uma investigação independente. Ele ‌afirma que as guerras de Israel contra o Hamas em Gaza e seus aliados no Líbano e no ‌Irã resultarão em um Oriente ⁠Médio mais pacífico.

A tarefa só ⁠estará completa com a queda dos governantes clericais do Irã, afirmou Netanyahu durante a campanha eleitoral, e somente ele ⁠tem a convicção e a credibilidade para concretizar isso.

As pesquisas ‌de opinião vêm apontando há meses ‌uma queda acentuada para o partido Likud, de Netanyahu. Mas uma aliança rival de partidos da direita, da esquerda e do centro, que busca destituí-lo, também não tem um caminho claro para o poder, sugerindo meses de impasse político com Netanyahu potencialmente à frente de um governo interino.

“Dois ⁠passos”

Nos dias seguintes a 7 de outubro, Be’eri estava repleta de soldados israelenses patrulhando casas queimadas e destruídas, com pisos manchados de sangue e portas perfuradas por buracos de bala. Em alguns pontos, o fedor de cadáveres ainda pairava no ar.

Os sons de bombardeios e de aviões de guerra israelenses sobrevoando Gaza eram incessantes.

Três anos depois, o kibutz ‌está em pleno funcionamento e os sons da construção de casas novinhas em folha ecoam por toda parte nos terrenos verdejantes. Espera-se que a maioria dos membros, que agora residem em outro kibutz, ⁠retorne até o verão.

Uma comunidade coletiva fundada em 1946, hoje com cerca de mil moradores, Be’eri exemplifica os valores socialistas que dominaram a política de Israel em suas primeiras décadas. Quase todos os seus votos foram para a centro-esquerda na eleição anterior de 2022, quando apenas cerca de 4% votaram em partidos da coalizão nacionalista-religiosa de Netanyahu.

O ataque fez com que os moradores questionassem as crenças de longa data de que poderia haver paz com os palestinos nesta geração.

– Todos em Be’eri deram dois passos à direita. Mas ainda acho que a maioria de nós vai ficar com a oposição, os partidos que querem substituir este governo – disse ele.

Miri Gad Messika, 48, da terceira geração em Be’eri, ainda não decidiu em quem votar. Mas não será em Netanyahu.

– Ele falhou como líder tantas vezes. E não deveria mais estar na política – declarou ela. “Estou procurando um líder. Infelizmente, é difícil enxergar algum líder em Israel no momento.”

– Quero ser otimista – acrescentou ela, “e só posso esperar por uma mudança para melhor”.

Edições digital e impressa