Um aluno do nono ano abriu fogo com uma espingarda de caça na escola Jose-Lakanal, em Aubagne, no sul da França, ferindo o diretor e uma professora nas pernas.
Por Redação, com Reuters – de Paris
Uma professora e o diretor de uma escola em Aubagne, no sul da França, foram baleados por um aluno de 14 anos que abriu fogo no local usando uma espingarda de caça, na manhã desta segunda-feira. O adolescente foi desarmado por funcionários e detido pela polícia.

O crime aconteceu na escola de ensino fundamental Jose-Lakanal. De acordo com as autoridades, as vítimas receberam atendimento médico e não correm risco de morte. O prefeito de Aubagne, Jacques Witkowski, esteve no local durante a manhã e disse que “o suspeito, por um motivo desconhecido, disparou contra o diretor, que foi atingido por uma carga de chumbo de caça nas coxas”.
– Ele atirou uma segunda vez em uma professora, que foi atingida por um projétil de chumbo também na coxa; disparou uma terceira vez no corredor e, em seguida, foi interceptado por um membro da equipe – acrescentou. “É um aluno da escola, matriculado no nono ano; não há registros de delinquência ou radicalização envolvendo ele”, garantiu o prefeito.
Uma fonte disse que uma terceira pessoa sofreu um ferimento superficial. A polícia esclareceu que “a escola não estava bloqueada pelo movimento estudantil” e que não há indícios de que o caso tenha relação com as manifestações.
Arma escondida
De acordo com a promotoria de Marselha, responsável pelo caso, o aluno chegou à escola por volta das 9h25 e disparou pelo menos quatro vezes, entre o primeiro e o segundo andar, usando uma espingarda de caça carregada com cartuchos de chumbo grosso.
“Ele chegou com uma bolsa que era um estojo de guitarra e retirou desse estojo uma arma longa, uma espingarda de caça”, declarou à imprensa no local Audrey Jouaneton, promotora adjunta de Marselha.
Ainda segundo a magistrada, o suspeito subiu para o primeiro andar da escola (que possui dois andares) e disparou na direção de duas pessoas (o diretor e uma professora). “Ainda não sabemos se ele mirou especificamente nelas; de qualquer forma, essas duas pessoas foram feridas nos membros inferiores e ambas foram hospitalizadas”.
Em seguida, o aluno subiu para o segundo andar, onde efetuou mais dois tiros: um na direção de um professor, que não foi atingido; e outro, em direção ao chão. “Ele continuou avançando, chegou à altura de uma sala de aula que estava ocupada por alunos e um professor. O suspeito disparou em direção ao quadro daquela sala. Foi identificado pelos investigadores um impacto no quadro”, relatou Jouaneton.
Segundo os primeiros depoimentos colhidos pelos policiais, o jovem atirador “não teria dito nada” antes de efetuar os tiros, esclareceu a promotora. Quanto ao perfil, o suspeito seria um aluno “problemático”, apontam alguns relatos. “Há toda uma série de hipóteses a serem investigadas (…) Chegou-se a mencionar a possibilidade de bullying. Tudo isso será analisado e a motivação, neste momento, ainda não foi estabelecida”, concluiu a promotora.
“Um ato inadmissível”
O governo francês informou que um comitê de gestão de crise foi ativado. “Um ato inadmissível”, denunciou o ministro da Educação francês Édouard Geffray na rede social X, apontando para “o aumento da violência na sociedade”.
– Diante deste novo ataque, a comunidade escolar estará, como sempre, unida e forte diante desta provação – escreveu o ministro.
Assim que as primeiras informações sobre os disparos começaram a circular, pais de alunos correram para buscar seus filhos na escola Jose-Lakanal, localizada na periferia da cidade.
– Ela me ligou em pânico, disse que havia sangue por toda parte. Saí do trabalho e tentei acalmá-la. Quando cheguei, fui informada de que o jovem havia sido detido – relatou a mãe de uma aluna, que aguardava a saída da filha.
Outros ataques cometidos por alunos em instituições de ensino marcaram o cenário educacional na França nos últimos anos. Em abril, uma aluna do ensino médio ficou gravemente ferida durante um ataque a faca em uma escola de Ancenis-Saint-Géréon, no oeste do país.
Em fevereiro, uma professora foi esfaqueada por um aluno de 14 anos em uma escola de ensino fundamental II, em Sanary-sur-Mer, no sul.
Na cidade de Nogent (Haute Marne), uma inspetora escolar de 31 anos foi morta a facadas por um adolescente de 14 durante uma revista de mochilas realizada por policiais, em junho de 2025. Em abril do mesmo ano, um aluno matou uma adolescente de 15 anos e feriu outras três pessoas em uma escola de Nantes, no oeste do país.