Rio de Janeiro, 26 de Outubro de 2026

Comissão da ONU aponta extermínio na Cisjordânia por Israel

Um relatório de comissão independente da ONU acusou Israel de cometer crimes contra a humanidade na Cisjordânia, incluindo extermínio, tortura e deslocamento...

Segunda, 26 de Outubro de 2026 às 13:03, por: CdB

Um relatório de comissão independente da ONU acusou Israel de cometer crimes contra a humanidade na Cisjordânia, incluindo extermínio, tortura e deslocamento forçado, como parte de uma estratégia sistemática contra os palestinos agravada após outubro de 2023.

Por Redação, RFI – de Nova York

Uma comissão internacional de investigação da ONU acusou nesta segunda-feira Israel de cometer crimes contra a humanidade contra palestinos na Cisjordânia. A comissão também manteve suas acusações de genocídio na Faixa de Gaza.

Vista do assentamento israelense de Bat Ayin, na Cisjordânia ocupada; expansão dos assentamentos no território voltou a ser alvo de críticas em relatório da ONU

No novo relatório, divulgado na véspera das eleições legislativas israelenses previstas para terça-feira (27), a comissão conclui que “as autoridades e as forças israelenses cometeram na Cisjordânia crimes contra a humanidade de extermínio, tortura, estupro e outras formas de violência sexual, além de perseguição baseada em fatores discriminatórios como nacionalidade, raça e origem étnica”.

Criada em 2021, a comissão independente já havia concluído, no ano passado, que Israel estaria cometendo genocídio em Gaza.

– Os assassinatos e ferimentos contra civis palestinos, assim como a destruição de moradias na Cisjordânia, somados à recusa persistente de Israel em assumir responsabilidade por esses atos, fazem parte de uma estratégia mais ampla destinada a exterminar e a deslocar os palestinos e a lhes impor condições de vida insustentáveis – afirmou o jurista indiano Srinivasan Muralidhar, novo presidente da comissão.

Ele também denunciou a ampliação do controle territorial israelense em Gaza e afirmou que a medida continua causando mortes e ferimentos entre civis palestinos que se aproximam ou atravessam a chamada “linha amarela”, que delimita a área controlada pelas tropas israelenses.

“Limpeza étnica”

Em 4 de setembro, o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos já havia acusado Israel de deslocar à força mais de 33 mil palestinos de três campos de refugiados na Cisjordânia no início de 2025, levantando a possibilidade de crime contra a humanidade e limpeza étnica.

Israel ocupa a Cisjordânia desde 1967. Mais de 3 milhões de palestinos vivem no território, assim como cerca de 500 mil israelenses instalados em assentamentos considerados ilegais pelo direito internacional. O clima de violência entre os dois lados se agravou com a proximidade das eleições israelenses.

Desde os ataques do grupo Hamas em território israelense em 7 de outubro de 2023, que desencadearam a guerra em Gaza, a expansão dos assentamentos na Cisjordânia tem se acelerado, com o aumento da criação de postos avançados de colonos.

A comissão da ONU destaca uma deterioração significativa da situação na Cisjordânia desde o início do conflito. Entre 2008 e 6 de outubro de 2023, seis palestinos morreram em ataques aéreos. Entre 7 de outubro de 2023 e 30 de setembro de 2026, esse número chegou a 254.

No relatório, a comissão afirma que as autoridades israelenses procuraram impor uma “punição coletiva” à população civil da Cisjordânia em resposta aos ataques do Hamas. Segundo o órgão, desde então Israel conduz “um ataque generalizado e sistemático contra civis, por meio de operações militares acompanhadas de atos persistentes de violência cometidos por colonos”.

As autoridades israelenses negam as acusações, que consideram “mentirosas” e “antissemitas”, assim como as novas denúncias de crimes contra a humanidade na Cisjordânia. A representação israelense pediu à comunidade internacional que exija a “dissolução imediata” da comissão de investigação, cuja ex-presidente é a sul-africana Navi Pillay, vencedora do Nobel da Paz de 2026.

Em comunicado, a missão israelense junto à ONU em Genebra afirmou que o relatório representa “mais um capítulo de uma campanha de desinformação para demonizar o Estado de Israel e retratar sua existência como criminosa”.

– O esforço para destruir o Estado judeu não terminou em 1948. Ele continua hoje por meio da atuação de organismos como a Comissão de Inquérito da ONU, que buscam enfraquecer a legitimidade de Israel e negar seu direito fundamental de existir e se defender – declarou o embaixador israelense Daniel Meron.

Mais de 1,5 mil palestinos foram mortos desde a trégua de outubro de 2025, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas. A ONU considera os dados do órgão confiáveis.

Em uma decisão histórica de janeiro de 2024, a Corte Internacional de Justiça (CIJ) determinou que Israel adotasse medidas para prevenir atos de genocídio em Gaza, alertando para um “risco real e iminente” de “dano irreparável” à população palestina.

O relatório também critica a Autoridade Palestina por atos de violência contra integrantes de grupos armados rivais e pela repressão a opositores civis e políticos. A comissão afirma ainda que a entidade não conduz investigações rápidas, eficazes e imparciais sobre essas violações.

Edições digital e impressa