Para o ex-ministro, a consolidação de uma nova liderança para a esquerda não surgirá por indicação direta, mas sim do desempenho prático nos desafios públicos.
Da Redação – de São Paulo
Ex-ministro da Casa Civil e líder histórico da esquerda brasileira, o advogado José Dirceu (PT) avalia que a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não pode ser creditada unicamente à legenda que ajudou a construir ao longo das últimas décadas. Dirceu tentou voltar à Câmara por São Paulo, neste ano, mas não foi bem sucedido.

O dirigente petista, no entanto, mantém o apoio ao quarto mandato presidencial e adianta que a base de apoio mais ampla e diversificada do governo precisa interagir com diferentes correntes políticas e movimentos sociais para “corresponder ao sinal enviado pelas urnas”, afirmou em entrevista nesta segunda-feira ao diário conservador carioca ‘O Globo’.
Segmentos
Com uma visão ampliada do cenário político brasileiro, Dirceu aconselha que a sigla passe por uma reformulação completa, para que o campo progressista consiga construir uma organização duradoura e dialogar com novos segmentos da população.
— A vitória na eleição não foi do PT. Temos que tirar consequências disso, não pode só falar. Temos que fazer quase uma reconstrução do PT — observou José Dirceu, ao sublinhar a importância da união com legendas como PSOL, Rede, PDT e PSB.
Para o ex-ministro, a consolidação de uma nova liderança para a esquerda não surgirá por indicação direta, mas sim do desempenho prático nos desafios públicos.
— Terão de provar isso governando ou liderando. Alguém vai se destacar. O (Fernando) Haddad se destacou como ministro da Fazenda e da Educação e ganhou espaço — ressaltou Dirceu ao abordar a futura sucessão presidencial.
Diálogo
Pragmático, como sempre, Dirceu ressaltou que a aproximação com os eleitores evangélicos e com os jovens que votaram no candidato da oposição, Flávio Bolsonaro, deve ser feita sem hostilidade.
— Nós não devemos estigmatizar, atacá-la como se fosse um pecado votar na direita. Temos que dialogar — orientou.
Para sustentar a governabilidade, Dirceu sugere a convocação de forças partidárias, empresariais e trabalhistas em torno de grandes reformas — tributária, financeira, política e do Judiciário —, mantendo a proteção aos direitos sociais já garantidos.
— Não nos peçam para fazer aquilo que o eleitorado não aprovou. Uma das razões da mobilização foi o medo de perder a vinculação do salário mínimo, a aposentadoria, a saúde, a educação — acrescentou.
Saúde
A respeito do resultado pessoal no pleito, em que teve o ritmo de campanha afetado por conta de um tratamento de saúde contra um linfoma entre maio e setembro, o ex-ministro confirmou que não tentará novamente retornar a cargos eletivos.
— Já virei essa página. Não serei mais candidato — concluiu.