O presidente também abordará a pacificação do país, após uma disputa eleitoral marcada pela polarização política.
Por Redação – de Brasília
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estrutura um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão para o próximo domingo, do qual constarão sinais de compromisso com o equilíbrio das contas públicas e buscar reduzir as tensões nos mercados financeiros após sua reeleição. A expectativa é que Lula reafirme a disposição de cumprir as metas fiscais, sem abrir mão dos compromissos sociais assumidos durante a campanha presidencial, conforme apurou o diário conservador paulistano ‘O Estado de S. Paulo’, nesta quinta-feira.

O presidente também abordará a pacificação do país, após uma disputa eleitoral marcada pela polarização política. O pronunciamento deverá combinar mensagens dirigidas aos investidores, ao Congresso e à população brasileira, com ênfase na responsabilidade fiscal e na continuidade das políticas sociais. A iniciativa ocorre em um momento de instabilidade financeira, com pressões sobre o câmbio, os juros e o mercado de ações, enquanto o governo busca definir medidas para viabilizar o Orçamento de 2027.
Ajuste fiscal
Lula estuda um conjunto de medidas que deverá combinar contenção de despesas e aumento da arrecadação, com o objetivo de assegurar o cumprimento das metas fiscais e abrir espaço para os compromissos assumidos durante a campanha. Na terça e nesta quinta-feira, o presidente reuniu-se no Palácio da Alvorada com os ministros Dario Durigan, da Fazenda, e Bruno Moretti, do Planejamento, entre outros convidados, para avaliar alternativas de ajuste.
As medidas poderão ser anunciadas nas próximas semanas, embora o pronunciamento de domingo já deva antecipar as principais diretrizes da política econômica para o quarto mandato. Durante a campanha, Durigan afirmou que Lula promoveria um ajuste fiscal sem recorrer a um ‘cavalo de pau’ na economia ou a medidas que classificou como “loucuras”.
A declaração buscava diferenciar a estratégia governista da proposta de cortes mais profundos de despesas defendida pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado no segundo turno.
Promessas
Um dos principais desafios do governo será compatibilizar o equilíbrio fiscal com a ampliação de programas sociais e investimentos públicos anunciados durante a campanha. Entre as propostas estão a criação de uma versão universitária do Pé-de-Meia, a extensão do benefício a todos os estudantes do ensino médio, a construção de mais de 100 presídios de segurança máxima e reajustes do Bolsa Família e do salário mínimo.
O conjunto das promessas de campanha supera R$ 400 bilhões, enquanto as medidas previstas para 2027 exigiriam ajustes de pelo menos R$ 39,8 bilhões no Orçamento do próximo ano. O governo terá de definir fontes de financiamento e estabelecer prioridades para acomodar essas iniciativas sem comprometer as metas fiscais.
A discussão ocorre em paralelo às negociações com o Congresso Nacional para a aprovação da Lei de Diretrizes Orçamentárias e do Orçamento de 2027, considerados fundamentais para garantir previsibilidade à política econômica.