No campo da direita, o chamado ‘Centrão’ tem simpatia pela senadora Tereza Cristina (PP-MS), que também visa a Presidência da Casa.
Por Redação – de Brasília
Os senadores do PL lançaram, nesta quarta-feira, a candidatura do líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN), para a Presidência do Senado, a ser definida no dia 1º de fevereiro de 2027. O PL terá a maior bancada da Casa na próxima legislatura, com 29 das 81 cadeiras e Marinho contaria, em tese, com o apoio da bancada do Novo, com três votos.

As contas, no entanto, são mais complicadas do que aparentam. No campo da direita, o chamado ‘Centrão’ tem simpatia pela senadora Tereza Cristina (PP-MS), que também visa a Presidência da Casa. Sem contar que o outro adversário é o atual presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (UB-AP), que trabalha pela reeleição e conta com o apoio velado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O manifesto pela candidatura de Marinho, nesta manhã, contou com a presença de 33 senadores. Em seu discurso aos convidados, o líder destacou ser possível alcançar mais de 40 votos para elegê-lo. Marinho, durante sua fala, fez duras críticas ao governo Lula; voltou a pregar a anistia aos condenados por golpismo e a agenda conservadora. Não faltaram, porém, homenagens ao senador Flávio Bolsonaro (PL), afirmando sem uma prova sequer que o derrotado não tem no Brasil uma justiça imparcial.
Disputa
Marinho também afirmou que Alcolumbre buscará atrair os senadores da direita, mas acredita que seu grupo estará blindado às tentações. O agora candidato tem dito que ele e Tereza Cristina mantêm um acordo para não haver uma disputa entre eles, ou seja, a expectativa é de que haja a retirada de um dos nomes, por suposto, o da candidatura feminina. A ideia é que, em janeiro, o congressista considerado menos viável abra mão da disputa para que o outro unifique a oposição a Alcolumbre. Procurada pela reportagem do Correio do Brasil, nesta manhã, a senadora não confirmou, ou negou, a declaração do colega bolsonarista.
Para deixar claro sua posição equidistante da candidatura do PL, a congressista foi uma das ausências mais percebidas durante a reunião desta manhã. Mais do que isso, na véspera, senadores do PP, legenda de Tereza Cristina, não esconderam o incômodo com o lançamento de Marinho e com ataques, supostamente feitos por bolsonaristas, em memes nas redes sociais, cobrando que a parlamentar sul-matogrossense desista de concorrer ao posto.
Frustração
A própria senadora teria se incomodado com banners que pedem para ela parar “de atrapalhar a oposição”.
Marinho foi coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado por Lula na eleição presidencial. Depois de fugir para os Estados Unidos, o filho ’01’ do ex-mandatário neofascista Jair Bolsonaro declarou seu apoio ao aliado na disputa pelo comando do Senado, o que também gerou frustração para os correligionários que ficaram no país.
A fuga de ’01’ gerou, na realidade, um impacto relevante nas hostes da direita e da extrema direita, que agora buscam um novo líder entre Marinho e o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que se colocou para a eleição presidencial de 2030.