Rio de Janeiro, 26 de Outubro de 2026

‘Centrão’ larga ’01’ e já começa a negociar cargos com o presidente Lula

Lula, segundo analistas do ‘Centrão’, deve destacar ministérios e cooptar alas inteiras das legendas com as quais se aproxima, historicamente, sem garantia...

Segunda, 26 de Outubro de 2026 às 17:39, por: CdB

Lula, segundo analistas do ‘Centrão’, deve destacar ministérios e cooptar alas inteiras das legendas com as quais se aproxima, historicamente, sem garantia de votos de toda a bancada, uma vez que há grupos fortemente alinhados à extrema direita.

Por Redação – de Brasília

O chamado ‘Centrão’, parcela do Congresso situada no campo da centro-direita, acusou o impacto com a derrota de Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial encerrada na noite de domingo. Rapidamente, no entanto, líderes dos partidos de matiz liberal passaram a disputar espaço no novo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Lula, entrevista
Lula tende a negociar alianças com grupos políticos

Na análise de parlamentares do campo conservador, o presidente em seu quarto e último mandato tende a negociar alianças com grupos políticos, em lugar de um acordo formal com os partidos, e garantir assim a governabilidade, dificultada pela eleição majoritária da direita e da ultradireita .

Lula, segundo analistas do ‘Centrão’, deve destacar ministérios e cooptar alas inteiras das legendas com as quais se aproxima, historicamente, sem garantia de votos de toda a bancada, uma vez que há grupos fortemente alinhados à extrema direita.

Expectativa

Uma das divisões do ‘Centrão’ que sai na frente para a participação nos ministérios é a dos diretórios do Norte e Nordeste, que fizeram campanha por Lula. O MDB continua fortalecido no Senado, com os diretórios do Amazonas, Pará e Alagoas à frente. No PSD, a ala mais lulista é a da Bahia, enquanto o PP e o Republicanos da Paraíba encamparam a campanha de Lula e têm expectativa de maior espaço.

O partido do ‘Centrão’ mais animado com a vitória do presidente Lula é o PSD. A legenda de Gilberto Kassab foi a única do grupo a manter neutralidade no segundo turno, apesar da avalanche de apoios a ’01′ após o candidato do PL sair na frente do petista no primeiro turno.

O Republicanos foi outro partido da centro-direita que apoiou o bolsonarista no segundo turno e, agora, antevê uma dificuldade inicial de diálogo com o governo reeleito, embora tenha emissários a caminho do Planalto, para uma conversa mais amena com o cerne político do governo.

Expectativa

Presidente do Republicanos, Marcos Pereira foi um dos primeiros a reconhecer, ainda na noite passada, a vitória de Lula. E adiantou que o presidente terá “a responsabilidade de governar para todos os brasileiros, inclusive os que votaram em Flávio Bolsonaro”.

A expectativa dos negociadores, por parte do Palácio do Planalto, é que o MDB, aliado do atual governo com os ministérios das Cidades, do Planejamento e dos Transportes, tenha um grau maior de dificuldade para negociar com a última etapa da história política do presidente Lula. Uma ala majoritária do partido declarou apoio a Flávio Bolsonaro, em uma clara traição ao governo a que serviram por quatro anos.

A federação União Brasil-PP, no entanto, é a mais danificada com a derrota do bolsonarista. Os presidentes do União Brasil, Antônio Rueda, e do PP, Ciro Nogueira, são próximos ao candidato do PL, e fizeram campanha mais intensamente pela eleição dele no segundo turno. Ambos também são alvos de investigação da Polícia Federal (PF), no escândalo do Banco Master.

Diálogo

As legendas mais ligadas ao bolsonarismo, embora tenham obstáculos maiores para negociar com o governo, já começaram a construir pontes com o campo adversário. Rueda, do UB, já divulgou nesta manhã uma mensagem em que reconhece o resultado das eleições e parabeniza o presidente Lula.

Uma aposta da federação União-PP para diálogo e composição com o governo é a convergência para a reeleição de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) como presidente do Senado. O cargo do amapaense está ameaçado devido ao avanço bolsonarista na Casa, o que deve levar seu partido e o Planalto a trabalharem juntos para mantê-lo no comando da Casa.

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