Alguns conselheiros do governo, no entanto, tentam demovê-lo da ideia por apostar na forte resistência no Congresso, a começar pelo próprio Alcolumbre.
Da Redação – de Brasília
Após a vitória inconteste nas últimas eleições, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) percebe que há espaço para retomar a indicação do advogado-Geral da União (AGU), Jorge Messias, para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF), mesmo após a rejeição ao nome em abril deste ano. Lula avalia que o presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (UB-AP), determinante na rejeição de Messias, vive agora um novo momento e precisará do apoio de Lula para se reeleger, no ano que vem.

O objetivo, segundo aliados ouvidos pela mídia conservadora, é se valer do capital político reforçado na eleição e da disputa pela presidência do Senado para reabrir as negociações e tentar reduzir a resistência de Alcolumbre. Lula terá ao menos três outros nomes para indicar no próximo mandato, desconsiderando a possibilidade de antecipação da aposentadoria do decano, Gilmar Mendes.
Esse também seria uma vantagem para a conversa com Alcolumbre, cujo preferido, Rodrigo Pacheco, nomeado para o Tribunal de Contas da União (TCU) e poderia ser guindado ao STF para a vaga ainda a ser aberta.
Congresso
Alguns conselheiros do governo, no entanto, tentam demovê-lo da ideia por apostar na forte resistência no Congresso, a começar pelo próprio Alcolumbre. Lula convidou o presidente do Senado para acompanhá-lo na viagem que fará à Turquia e às Filipinas, na semana que vem. Tradicionalmente, é como o líder petista costuma iniciar essas tratativas.
Emissários do Planalto têm insistido para que Alcolumbre e o presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), integrem a comitiva em uma demonstração de unidade institucional após a escapada do candidato derrotado Flávio Bolsonaro (PL-RJ), para os EUA.
Em favor da investida, Lula tem afirmado em conversas que a rejeição ao nome de Messias não foi baseada no perfil profissional dele, mas em uma conjuntura política adversa.
Confiança
A derrota foi atribuída à articulação de Alcolumbre com intuito de beneficiar Pacheco. Mas Lula perdeu a confiança em Pacheco, segundo aliados, por avaliar ter recebido dele sinais de que estaria disposto a concorrer ao governo de Minas, o que não se concretizou.
Ainda de acordo com aliados, Lula avalia que esta seria última chance de conseguir a nomeação de um nome de sua total confiança. O presidente repete que Messias é qualificado para o cargo.
Depois da posse dos senadores eleitos em outubro, as indicações exigirão negociação ainda maior para que sejam aprovadas, diante do expressivo crescimento da bancada do PL.