Rio de Janeiro, 27 de Outubro de 2026

Com vitória de Lula, Rodrigo Pacheco passa a ser favorito a cadeira no STF

A expectativa de interlocutores envolvidos nas conversas é que Lula encaminhe ao Senado, nas próximas semanas, a mensagem presidencial com o nome escolhido...

Terça, 27 de Outubro de 2026 às 17:40, por: CdB

A expectativa de interlocutores envolvidos nas conversas é que Lula encaminhe ao Senado, nas próximas semanas, a mensagem presidencial com o nome escolhido para ocupar a vaga no STF.

Por Redação – de Brasília

O nome do ex-senador Rodrigo Pacheco (PSB), ex-presidente do Congresso e atual ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), torna-se o favorito a uma indicação para o Supremo Tribunal Federal (STF). A opção voltou à mesa após uma reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e os comandantes do Congresso, realizada na véspera.

pacheco
Rodrigo Pacheco

Aliados de Pacheco disseram à mídia conservadora que as negociações em torno de seu nome estão “escalando”. A movimentação ocorre após o presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (UB-AP), e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), visitarem Lula, em um encontro que reacendeu as articulações para a escolha de um novo integrante da Suprema Corte.

A expectativa de interlocutores envolvidos nas conversas é que Lula encaminhe ao Senado, nas próximas semanas, a mensagem presidencial com o nome escolhido para ocupar a vaga no STF. O objetivo seria permitir que a indicação passe pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e pelo plenário da Casa ainda em 2026.

Indicação

A indicação de Pacheco, na análise de observadores da cena política, representaria uma mudança significativa na relação entre Lula e Alcolumbre, marcada por divergências em torno da composição do Supremo. O presidente do Senado já havia defendido anteriormente a indicação de Rodrigo Pacheco para o STF.

Lula, porém, optou por apresentar o nome de Jorge Messias, então ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), para ocupar a cadeira deixada por Luís Roberto Barroso. A decisão contrariou Alcolumbre, que atuou politicamente contra a indicação de Messias. O episódio terminou com uma derrota expressiva do governo no Senado, que rejeitou o nome escolhido pelo presidente da República.

O resultado expôs as dificuldades de articulação do Palácio do Planalto na Casa e aprofundou o desgaste entre Lula e o presidente do Senado. Ambos permaneceram cerca de quatro meses sem se falar em consequência do conflito. A preferência de Alcolumbre por Pacheco foi um dos principais pontos de divergência entre os dois.

Maioria

A retomada das conversas sobre o nome do ex-presidente do Senado, no entanto, pode representar uma tentativa de reconstrução da relação política entre o Executivo e o comando da Casa responsável por aprovar as indicações ao Supremo.

A articulação em torno da vaga no STF também envolve o calendário legislativo. Para assumir uma cadeira na Corte, o indicado pelo presidente da República precisa passar por uma sabatina na CCJ do Senado e, posteriormente, obter a aprovação da maioria absoluta dos senadores, equivalente a pelo menos 41 votos.

A intenção de concluir esse processo ainda neste ano torna a definição do nome uma prioridade nas negociações entre o Palácio do Planalto e o Congresso. Pacheco, que já presidiu o Senado, conta com o apoio de Alcolumbre, um dos principais articuladores políticos da Casa.

Momento

Esse respaldo ganha relevância diante do precedente da rejeição de Messias, que demonstrou a capacidade de mobilização do presidente do Senado nas disputas relacionadas à composição do STF.

A participação de Hugo Motta no encontro de segunda-feira também colocou os presidentes das duas Casas legislativas na interlocução direta com Lula em um momento decisivo para a escolha.

Edições digital e impressa