As duas candidaturas têm até 23h59 desta quinta-feira para apresentar as autorizações e abrir detalhes mútuos e de seus familiares.
Por Redação – de Brasília
As campanhas de Flávio Bolsonaro (PL), ou filho ’01’ como é conhecido, e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) concordaram, nesta quinta-feira, em firmar um acordo para abrir dados sensíveis de ambos os candidatos. Ambos ficaram de entregar documentos que eliminam os sigilos de cada um; além das pessoas e empresas relacionadas a eles.

As duas candidaturas têm até 23h59 desta quinta-feira para apresentar as autorizações e abrir detalhes mútuos e de seus familiares. Em seguida, caberá ao ministro do Supremo Tribuna Federal (STF) André Mendonça, vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), avaliar e decidir se libera os conteúdos para escrutínio da mídia e do público. Mendonça é relator da petição em que Lula diz autorizar a divulgação de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico.
Apesar do segundo turno das eleições terminar no próximo domingo, não há um prazo estabelecido para que o ministro decida o que fazer com os documentos encaminhados oficialmente, com a assinatura de uma petição em que os dois candidatos autorizam o levantamento imediato dos seus dados e de pessoas e empresas próximas.
Desafio
No caso de ’01′, as autorizações alcançam todas as contas bancárias, no Brasil e no exterior; além de uma offshore ligada ao advogado Willer Tomaz, amigo do senador e envolvido em uma grave suspeita de lavagem bilionária de dinheiro, através de empresas de fachada ligadas às bets.
Mais cedo, mesmo depois de apalavrar a promessa de liberar os sigilos de suas contas bancários e de seus telefones privados, ’01’ voltou atrás nesta manhã, logo após o presidente Lula aceitar as 19 exigências impostas pelo adversário e protocolar os documentos de autorização no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Em mais uma condição para cumprir o desafio, a campanha do senador afirmou que somente apresentaria suas próprias autorizações depois de conferir o material entregue pelo petista. Para a tarefa, convocou o ex-procurador da ‘Operação Lava Jato’ que atuou nos processos contra Lula e teve o mandato de deputado cassado pela Justiça Eleitoral.
Retrocesso
No meio desta tarde, a advogada Maria Cláudia Bucchianeri, representante de Flávio, durante a passagem das equipes pelo TSE, em Brasília, acabou concordando em liberar os dados do cliente. Segundo ela, a documentação do candidato já estava preparada, mas haveria uma avaliação prévia do cumprimento das condições estabelecidas pelo próprio senador, o que de fato se confirmou.
Deltan Dallagnol, durante entrevista coletiva na porta do TSE, fez referência direta à prisão do presidente, em uma declaração de tom ameaçador.
— Vou analisar os documentos da mesma forma que eu fiz no passado, e a última vez que eu fiz isso, o Lula foi parar na cadeia — disse o ex-procurador, sem lembrar que as condenações de Lula na ‘Lava Jato’ foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em 2021.
‘Sub judice’
A Corte também reconheceu a parcialidade do então juiz Sergio Moro no processo do triplex, uma das ações conduzidas a partir das acusações apresentadas pela força-tarefa. O ex-procurador, no entanto, também tem seu próprio histórico de problemas com a Justiça Eleitoral.
Em maio de 2023, o TSE cassou, por unanimidade, seu registro de candidatura a deputado, decisão que levou à perda do mandato. Dallagnol foi eleito senador pelo Paraná em outubro deste ano, mas a validade de sua nova candidatura ainda está sob análise da Corte Eleitoral.