Rio de Janeiro, 01 de Outubro de 2026

Trump injeta milhões contra eleição de Lula, denuncia o ‘Guardian’

Entre as iniciativas beneficiadas, cerca de US$ 1 milhão foram destinados diretamente às organizações da sociedade civil ligadas à extrema direita, que contestem decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), no Brasil.

Quinta, 01 de Outubro de 2026 às 15:53, por: CdB

Entre as iniciativas beneficiadas, cerca de US$ 1 milhão foram destinados diretamente às organizações da sociedade civil ligadas à extrema direita, que contestem decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), no Brasil.

Por Redação, com The Guardian – de Londres

O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, injetou quase R$ 1 bilhão em fundos contra o candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Trump desviou mais de US$ 175 milhões (R$ 945 milhões ao câmbio do dia) em um dos principais fundos do Departamento de Estado para Direitos Humanos a projetos ligados a pautas conservadoras, que favorecem o adversário petista, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) — ou filho ’01’ como também é conhecido.

Donald Trump, presidente dos EUA

Entre as iniciativas beneficiadas, cerca de US$ 1 milhão foram destinados diretamente às organizações da sociedade civil ligadas à extrema direita, que contestem decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), no Brasil. As informações foram publicadas em uma longa reportagem nesta quarta-feira no respeitado diário britânico ‘The Guardian’, um dos jornais mais conceituados do mundo.

Ao todo, 43 projetos, que somam US$ 176,9 milhões, concentram a maior parte dos US$ 205 milhões aprovados pelo Congresso norte-americano para o Human Rights and Democracy Fund (HRDF), fundo voltado originalmente ao apoio a direitos humanos e democracia no exterior.

‘Censura’

O programa relacionado ao Brasil recebeu o nome de ‘Combatendo o lawfare e a censura no Brasil’, um assunto alimentado basicamente pela campanha de ’01’. De acordo com o documento consultado pelo jornal, US$ 1 milhão seriam destinados a grupos da sociedade civil que atuem contra o que a própria proposta classifica como “excesso judicial” e “censura” praticados pelo Supremo brasileiro.

A iniciativa ocorre depois de uma escalada de atritos entre o governo Trump e o STF, especialmente em torno do ministro Alexandre de Moraes, alvo preferencial dos bolsonaristas. Em julho de 2025, sob a pressão do deputado cassado Eduardo Bolsonaro — ou filho ’03’ como também é conhecido — o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos incluiu Moraes na lista de sanções da Lei Global Magnitsky, acusando-o de violações de direitos humanos e restrições à liberdade de expressão. As acusações expressam a posição oficial do governo norte-americano.

Em setembro daquele ano, Washington ampliou as medidas e sancionou também Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro, e o Lex Instituto de Estudos Jurídicos. Na ocasião, o Tesouro afirmou que as novas punições estavam relacionadas ao suposto apoio financeiro ao magistrado.

Recursos

Segundo uma fonte familiarizada com as negociações ouvida pelo ‘Guardian’, o Departamento de Estado formalizou a destinação dos recursos poucas horas antes do fim do prazo, em 30 de setembro, apesar das objeções apresentadas por integrantes do Congresso. O departamento não respondeu especificamente ao jornal se havia ignorado bloqueios parlamentares relacionados às verbas.

Uma assessoria do Congresso norte-americano afirmou à reportagem que a senadora Jeanne Shaheen, principal democrata no Comitê de Relações Exteriores do Senado, mantinha dez bloqueios envolvendo US$ 22 milhões em projetos relacionados ao Brasil, África do Sul e Nigéria; além de programas no Reino Unido e em outros países europeus.

Ainda de acordo com esse assessor, o secretário de Estado, Marco Rubio, teria assinado pessoalmente um memorando determinando que os bloqueios fossem desconsiderados e que os recursos fossem comprometidos. A informação é atribuída pelo ‘Guardian’ à assessoria democrata.

Democracia

Shaheen criticou a mudança de orientação do fundo.

— O Congresso destinou dinheiro ao fundo para a democracia, de forma bipartidária, para apoiar defensores dos direitos humanos, ajudar vítimas de violações de direitos humanos e promover o crescimento da democracia no exterior — afirmou a senadora.

Segundo ela, as propostas apresentadas pelo governo Trump usariam “dinheiro dos contribuintes para promover organizações e programas de extrema direita em democracias consolidadas”.

— Isso é um desperdício de recursos e prejudica os valores dos Estados Unidos e as relações com parceiros democráticos, incluindo aliados na Europa — conclui a congressista.

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