Rio de Janeiro, 16 de Setembro de 2026

Lula realizará uma profunda reforma do Judiciário

Mas o que vimos na véspera, na sessão do STF, foi a explosão da bomba golpista montada em maio pelo ministro bolsonarista André Mendonça e programada para explodir às vésperas da eleição.

Quarta, 16 de Setembro de 2026 às 19:49, por: CdB

Mas o que vimos na véspera, na sessão do STF, foi a explosão da bomba golpista montada em maio pelo ministro bolsonarista André Mendonça e programada para explodir às vésperas da eleição.

Por Val Carvalho – do Rio de Janeiro

Não há dúvida de que o Brasil precisa fazer não apenas a reforma política, mas também a reforma do Supremo Tribunal Federal (STF) e de todo o sistema judiciário. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem declarado reiteradamente que, em seu quarto mandato, fará uma nova reforma do Judiciário, priorizando o tempo de mandato dos ministros, os critérios de suas escolhas e os limites éticos de sua atuação.

O STF precisa passar por uma profunda reforma, segundo o presidente Lula

Mas o que vimos na véspera, na sessão do STF, foi a explosão da bomba golpista montada em maio pelo ministro bolsonarista André Mendonça e programada para explodir às vésperas da eleição, como foi denunciado pelo ministro Alexandre de Moraes. O objetivo golpista é claro: a desmoralização desse ministro e da própria instituição do STF permitiria deslegitimar a condenação de Jair Bolsonaro e, mais importante, jogar essa desmoralização do Supremo no colo do candidato Lula, para tentar virar o jogo em benefício do candidato corrupto e miliciano, Flávio Bolsonaro.

Veemência

Sob a fraquíssima presidência de Edson Fachin, dócil instrumento nas mãos da ala lavajatista e bolsonarista do Supremo, que também contou com a ministra sem opinião própria Carmem Lúcia, a ofensiva golpista de André Mendonça foi enfrentada e desmascarada com veemência pelos ministros Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Flávio Dino. Este último, demonstrando todo o seu saber jurídico e capacidade de argumentação lógica, levantou a questão de ordem que deu encaminhamento a essa caótica sessão e, no final, diante do empate em 4 a 4, pediu vista, adiando, talvez para depois da eleição, a continuidade dessa discussão.

O impacto dessa sessão desmoralizante do STF nas eleições será inevitável, e ainda não se sabe qual candidato será mais atingido. Se prevalecer a tese da corrupção de Alexandre de Moraes, segundo a tática bolsonarista, isso pode afetar Lula. Mas, se a abertura total do sigilo do caso Master mostrar o real envolvimento dos ministros bolsonaristas da Corte e, principalmente, de Flávio Bolsonaro, com as propinas do banqueiro bandido Vorcaro, a eleição pode virar decisivamente para o nosso lado.

O presidente Lula está certo ao enfatizar a quebra de todos os sigilos e que todos os ministros envolvidos têm de ser investigados e, se culpados, punidos. Lula não tem nenhuma relação com a crise do STF e tem de deixar isso bem claro para o eleitorado e a nação brasileira. O presidente lembra muito bem que foi esse mesmo STF que o condenou anos atrás.

 

Segurança

Como vem fazendo, o presidente Lula está buscando mudar essa agenda negativa realizando algo de grande interesse da população: o combate ao crime organizado. Denominada Força Integrada IV, a PF acabou de deflagrar uma megaoperação nacional em 19 estados, cumprindo 106 mandados de prisão e 173 de busca e apreensão contra facções do tráfico. A PF mobiliza 20 bases das Forças Integradas de Combate Organizado (FICCOs), em colaboração direta com as polícias civis, militares, penais, a PRF e as guardas municipais — exatamente no modelo da PEC da Segurança, proposta por Lula, e que deve ser aprovada depois das eleições.

Além disso, Lula anunciou na véspera, em entrevista à TV Record, que na próxima sexta-feira lançará no Rio de Janeiro, junto com o governador Desembargador Couto, outra grande operação de segurança pública.

 

Argentinização

O Brasil vive momentos decisivos, em que está em jogo o seu futuro como nação soberana e democrática. Grande parte da burguesia, em especial a do mercado financeiro e da grande mídia, com a Globo à frente, defende a “argentinização” do país e a “africanização neocolonial” da América Latina, baseada em governos subalternos a Washington e controlados pela militarização norte-americana de nosso continente.

O Brasil que defende soberania, democracia e direitos sociais não vai se deixar dominar pelo fascismo norte-americano e por seus lacaios internos e, com certeza, dará a quarta vitória ao presidente Lula.

Val Carvalho
Val Carvalho é articulista do jornal diário Correio do Brasil.
Edições digital e impressa