As conversas ocorreram na semana passada e, em uma das mensagens mais duras, Gilmar Mendes cobrou que Kassio e Fux deixassem de participar de julgamentos relacionados ao Master diante das informações envolvendo familiares dos dois ministros.
Por Redação – de Brasília
O escândalo do Banco Master tragou mais dois ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Mensagens trocadas pelo WhatsApp mostram discussões de Gilmar Mendes com Kassio Nunes Marques e Luiz Fux, com cobranças sobre impedimentos, suspeitas de articulação entre integrantes da Corte e até o bloqueio do decano por Kassio.

As conversas ocorreram na semana passada e, em uma das mensagens mais duras, Gilmar Mendes cobrou que Kassio e Fux deixassem de participar de julgamentos relacionados ao Master diante das informações envolvendo familiares dos dois ministros. O decano cobra o afastamento imediato de ambos e a abertura das contas bancárias.
“Assumam que estão ferrados e saiam dos processos. Abram as contas”, escreveu Mendes a Nunes Marques. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral respondeu pedindo respeito. A discussão subiu de tom e Gilmar insistiu para que o colega não julgasse processos relacionados ao Master e defendesse a abertura de suas contas.
Atividades
Nunes Marques afirmou não ter problema em prestar esclarecimentos e disse que há 15 anos presta contas de suas atividades como juiz. Gilmar estendeu então a cobrança à família do ministro, mas a mensagem não chegou a ser lida: o ministro indicado por Jair Bolsonaro bloqueou o decano, no aplicativo.
O confronto ocorre em meio à divulgação de informações encontradas no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O nome de Kevin Nunes Marques, filho do ministro, aparece em conversas sobre pagamentos, em um contrato de R$ 500 mil. Kassio afirmou no plenário que o filho nunca trabalhou para o Banco Master e negou qualquer relação ilegal.
Na sessão extraordinária da véspera, Nunes Marques declarou-se impedido e não participou da votação sobre o caso envolvendo Alexandre de Moraes. Retirou-se da sessão plenária.
Luiz Fux
Gilmar Mendes também avançou contra o colega Luiz Fux. O motivo foi o julgamento na Segunda Turma que formou maioria para manter a decisão de André Mendonça que afastava Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal — medida posteriormente revertida por Flávio Dino.
Gilmar havia pedido vista logo após a abertura da sessão virtual, mas Fux e Nunes Marques apresentaram seus votos poucos minutos depois. O decano questionou a sequência e cobrou de Fux “postura institucional”.
Fux respondeu que ninguém determinava como deveria agir. Depois de nova cobrança de Mendes para que atuasse como presidente da Segunda Turma, encerrou a conversa de maneira igualmente ríspida.
— Cuide de não encher meu saco! — concluiu.