Rio de Janeiro, 22 de Setembro de 2026

Ligação de Flávio Bolsonaro com a milícia vira denúncia, no STF

A investigação passou a aprofundar a análise do repasse após encontrar mensagens entre Robson Calixto, conhecido como ‘Peixe’, e Maria de Fátima Bezerra Castro, assessora do senador.

Terça, 22 de Setembro de 2026 às 16:47, por: CdB

A investigação passou a aprofundar a análise do repasse após encontrar mensagens entre Robson Calixto, conhecido como ‘Peixe’, e Maria de Fátima Bezerra Castro, assessora do senador.

Por Redação – de Brasília

Líder do PT na Câmara, o deputado Pedro Uczai (PT-SC) solicitou ao ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), a abertura de uma auditoria sobre todas as emendas destinadas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a instituição do terceiro setor no Rio de Janeiro, desde 2019. O pedido coloca os repasses sob escrutínio após a Polícia Federal (PF) apontar suspeitas sobre uma emenda de R$ 199 mil enviada a um instituto carioca sob a direção de um líder miliciano em atividade no Estado.

Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ)

De acordo com o Portal da Transparência, houve o pagamento de R$ 199 mil ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Princípio (Ifop) em novembro de 2023. A investigação passou a aprofundar a análise do repasse após encontrar mensagens entre Robson Calixto, conhecido como ‘Peixe’, e Maria de Fátima Bezerra Castro, assessora do senador.

‘Peixe’, conhecido miliciano do Rio de Janeiro, foi condenado por organização criminosa armada no processo sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco. Uczai quer que a Controladoria-Geral da União (CGU) examine os recursos e os contratos das organizações beneficiadas.

Operação

O parlamentar também solicitou acesso aos documentos dos repasses e a suspensão de novas parcerias e transferências ao Ifop e a outras instituições investigadas até o fim das auditorias. A PF investiga o caso na ‘Operação Emendatio’, que investiga possíveis desvios de emendas relacionadas ao grupo dos irmãos Chiquinho e Domingos Brazão. Flávio Bolsonaro, ou filho ’01’ como também é conhecido, não foi alvo primário das medidas policiais.

Nas mensagens extraídas pela PF do celular de Calixto, há indícios de que ele tratou com a assessora sobre a liberação de recursos para o Ifop. Em uma das conversas, Calixto orientou o interlocutor a procurar Flávio Bolsonaro pessoalmente para reforçar o pedido de verba.

Os investigadores também analisaram uma conversa em que a assessora pediu quatro ingressos para um camarote no Sambódromo durante o carnaval do Rio. A PF tratou a solicitação como possível vantagem indevida no âmbito da apuração.

Recursos

Calixto foi condenado pelo STF por organização criminosa armada no processo ligado ao assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. A investigação da ‘Operação Emendatio’ usa o conteúdo de seu celular para rastrear negociações de recursos públicos destinados às entidades sob análise.

Uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU), incorporada à investigação, identificou pagamentos do Ifop a um escritório de advocacia pertencente aos próprios administradores do instituto. Os investigadores passaram a examinar, assim, se os recursos públicos enviados ao instituto tiveram destinação regular.

Edições digital e impressa