Flávio Bolsonaro aparece, no material de divulgação, como procurado por supostos crimes contra a democracia e com o pedido para seu retorno compulsório ao Brasil.
Por Redação, com Reuters – de Nova York, NY-EUA
O senador Flávio Bolsonaro (PL), vulgo ’01’ — refugiado nos EUA — foi alvo nesta segunda-feira de manifestação que tomou lugar nas ruas e estações de metrô de Nova York (NY-EUA) após a fuga do Brasil depois da derrota eleitoral para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), há pouco mais de uma semana. A brasileira Renata Díaz espalhou cartazes com a fotografia do parlamentar e a inscrição ‘Procurado’, acompanhada de um pedido de deportação.

A iniciativa provocou uma reação de apoiadores do bolsonarismo, que passaram a ameaçar a ativista e divulgar informações sobre sua vida pessoal. A ação de Díaz teve início na véspera e continuava nesta manhã. Em relação ao Dia das Bruxas (Halloween), a manifestante se fantasiou com uma máscara e percorreu ruas e estações do transporte público nova-iorquino para afixar os cartazes, registrando a manifestação em vídeos publicados nas redes sociais.
Flávio Bolsonaro aparece, no material de divulgação, como procurado por supostos crimes contra a democracia e com o pedido para seu retorno compulsório ao Brasil. A mobilização ocorreu depois que o senador deixou o país em um jatinho particular, com a famîlia.
Deportação
Nas suas páginas, nas redes sociais, Díaz critica a presença do senador nos Estados Unidos e acusa o presidente norte-americano, Donald Trump, de interferir no processo eleitoral brasileiro.
“(Flávio) Bolsonaro não é um perseguido político, ele é um criminoso que precisa ser deportado. O Trump interferiu nas eleições brasileiras, agora é a hora de a gente dar o troco. Atenção, o Brasil tem o maior exército digital popular do mundo e estamos prontos para combater o Trump, vamos nos juntar”, incitou.
A brasileira também compartilhou registros do percurso realizado pelas estações de metrô e pelas ruas de Nova York. As imagens mostram a distribuição dos cartazes em diferentes pontos da cidade, em uma tentativa de ampliar a visibilidade da campanha pela deportação do parlamentar.
Ameaças
A iniciativa levou para o espaço público na icônica metrópole norte-americana a controvérsia em torno da saída de ’01′ do Brasil. Os cartazes associam o senador a acusações de crimes contra a democracia, embora a reportagem não apresente informações sobre a existência de um mandado internacional de prisão contra ele.
A repercussão da manifestação foi acompanhada por uma ofensiva de apoiadores de Flávio Bolsonaro nas redes sociais. Horas depois da divulgação dos vídeos, Renata começou a receber ameaças de internautas bolsonaristas contrários à campanha.
Integrantes de grupos radicais da ultradireita passaram a acionar o Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE), solicitando providências contra a brasileira. Os denunciantes alegaram que a divulgação dos cartazes constituiria um “crime federal” por disseminação de “informações falsas”. A reação também incluiu a exposição de informações pessoais da ativista. Seu endereço residencial, dados sobre a trajetória profissional e o local onde trabalha foram divulgados na internet, ampliando os riscos à sua privacidade e segurança.