No Plenário da Câmara, o governo disse que ele e os irmãos Carlos e Eduardo tiveram a cidadania reconhecida 58 dias depois de terem apresentado os documentos na Embaixada da Itália, em Brasília.
Da Redação – de Miami e Roma
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), vulgo ’01’, que fugiu do Brasil usando um passaporte italiano, foi alvo de debates nesta sexta-feira, no Parlamento italiano. No Plenário da Câmara, o governo disse que ele e os irmãos Carlos e Eduardo tiveram a cidadania reconhecida 58 dias depois de terem apresentado os documentos na Embaixada da Itália, em Brasília.

O reconhecimento aconteceu em 5 de janeiro de 2023, dias após a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e três dias antes dos atentados golpistas, em Brasília. O prazo de cerca de dois meses contrasta com a espera nos consulados italianos do país, que costumava levar cerca de 10 anos antes da mudança na Lei da Cidadania, no ano passado. O governo italiano, contudo, negou que a concessão tenha ocorrido fora das normas legais.
Barbeiro
Alheio às críticas que o cercam, desde a fuga para os EUA, o candidato derrotado na eleição presidencial brasileira aproveitou o dia para cuidar da aparência, antes de conceder uma desastrosa entrevista ao diário norte-americano The New York Times (NYT). No EC Hair Salon, um salão de beleza de luxo em North Miami Beach, comandado pelo brasileiro Emerson Cristiano, o fugitivo da Justiça brasileira foi fotografado ao lado do proprietário e de funcionários do estabelecimento; além de conversar com clientes.
O dono da barbearia publicou uma imagem com o senador nas redes sociais, pouco antes de ele aparecer com o cabelo cortado nas fotografias que acompanharam a entrevista publicada pelo jornal, na véspera. O salão é frequentado por personalidades brasileiras.
Entre os clientes estão o cantor Gusttavo Lima, o ex-goleiro Júlio César, o ator Oscar Magrini, o cantor Alexandre Pires e o empresário Roberto Justus, acompanhado da mulher, a influenciadora Ana Paula Siebert. Marina e Sofia Liberato, filhas gêmeas do apresentador Gugu Liberato, também frequentam o espaço.
Auxílio na fuga
Fundado em 2015, o estabelecimento tem à frente do negócio um imigrante que, antes de se mudar para os EUA, trabalhou em salões conhecidos no Brasil. Um corte de cabelo no local custa, em média, US$ 150, aproximadamente R$ 820 ao câmbio do dia.
Na entrevista à jornalista Ana Ionova, do NYT, ’01′ negou ter recebido auxílio de governos estrangeiros para viajar aos Estados Unidos depois de perder a disputa presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
— Fui eu quem fez tudo. Não houve ajuda de absolutamente ninguém, de nenhum governo — resumiu, sob a suspeita da jornalista.