Se Eduardo Bolsonaro pode ter, adiante, problemas com seu endereço no Estado texano, o mesmo pode ocorrer com seu irmão ’01’, que permanecia no Estado da Flórida, onde ainda persiste uma maioria vermelha, a cor do Partido Republicano.
Por Redação – de Brasília
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), vulgo ’01’, e o irmão, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), vulgo ’03’, ambos foragidos da Justiça brasileira, optaram pelo silêncio, na manhã desta quarta-feira, após a divulgação da derrota acachapante imposta pelo partido Democrata sobre o presidente republicano dos EUA, Donald Trump, nas chamadas eleições ‘midterms’, de meio de mandato.

A fuga de ’03’ para os EUA ocorreu em fevereiro do ano passado e seu nome consta da ‘Lista Vermelha’ da Interpol, o que poderá causar sua prisão se deixar o país. Atualmente, segundo investigações da Polícia Federal (PF), Eduardo Bolsonaro esconde-se no Estado do Texas, que acaba de alternar do Partido Republicano para o Democrata.
Os eleitores texanos votaram em massa na democrata Gina Hinojosa para o governo do Estado, impondo uma derrota ao atual governador e candidato à reeleição, o republicano Greg Abbott. No Senado, por sua vez, o democrata James Talarico derrotou o atual procurador-Geral do Estado, Ken Paxon, e tomou a cadeira que pertencia ao republicano John Cornyn, tornando-se o primeiro senador democrata eleito pelo Texas em 38 anos.
Virada
Se Eduardo Bolsonaro pode ter, adiante, problemas com seu endereço no Estado texano, o mesmo pode ocorrer com seu irmão ’01’, que permanecia no Estado da Flórida, onde ainda persiste uma maioria vermelha, a cor do Partido Republicano. O silêncio deles, no entanto, contrasta com a proximidade política com Trump, que se tornou o principal aliado internacional da família Bolsonaro e acolheu o senador foragido após sua derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), nas eleições presidenciais brasileiras de 25 de outubro.
O que era um trunfo, torna-se agora um pesadelo para os Bolsonaros nos EUA. A derrota de Trump não se limitou à perda de algumas cadeiras no Congresso. Na realidade, os democratas conquistaram o controle das duas Casas Legislativas, a Câmara e o Senado, em uma virada que atingiu inclusive Estados até então majoritariamente republicanos, ao longo de décadas.
Investigações
O resultado das urnas gera, portanto, um drama para os irmãos Bolsonaro. A partir de janeiro de 2027, quando os novos congressistas assumirem seus mandatos, a oposição democrata terá instrumentos parlamentares para investigar decisões do governo Trump, inclusive sua atuação em relação ao Brasil. E uma dessas investigações já foi anunciada antes mesmo da vitória eleitoral.
Para Flávio Bolsonaro, a maior das suas preocupações já foi expressa pela deputada democrata Pramila Jayapal, que anunciou a intenção de investigar a participação do governo norte-americano na fuga do senador brasileiro e a atuação da Meta, dona do Facebook e do Instagram, nas eleições presidenciais vencidas por Lula.
Protestos
Jayapal afirmou à mídia conservadora brasileira, logo após a derrota de ’01’, que uma vitória democrata permitiria ao Congresso fiscalizar as ações do governo norte-americano relacionadas ao processo eleitoral brasileiro. E, de fato, um grupo de 25 deputados democratas enviou uma carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, com 15 perguntas sobre a entrada de Flávio Bolsonaro e de sua família nos EUA.
Segundo o titular do Departamento de Relações Internacionais da UFF, professor Vitelio Brustolin, uma comissão poderia convocar Marco Rubio para esclarecer a atuação do governo. A investigação não determinaria a revogação de visto nem a expulsão de ’01′, mas poderia aumentar o desgaste político da Casa Branca e o aumento no número de protestos contra a permanência dele e do irmão em solo norte-americano.