Rio de Janeiro, 28 de Abril de 2026

Líder de fraude bilionária no Porto do Rio chefiou Alfândega na gestão Bolsonaro

Pedro Thiago, apontado como líder de esquema de propinas no Porto do Rio, se aposentou com proventos integrais. Entenda os desdobramentos da Operação Mare Liberum.

Terça, 28 de Abril de 2026 às 13:50, por: CdB

No início deste mês, Pedro Thiago obteve aposentadoria voluntária com proventos integrais.

Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro

O auditor-fiscal Pedro Antônio Pereira Thiago, um dos 17 servidores afastados na Operação Mare Liberum, é apontado pelas investigações como um dos líderes do suposto esquema de propinas no Porto do Rio. Ele foi nomeado delegado da Alfândega da Receita Federal em dezembro de 2020, durante o governo Jair Bolsonaro (PL), e deixou o posto em novembro de 2023, já na gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Líder de fraude bilionária no Porto do Rio chefiou Alfândega na gestão Bolsonaro | Porto do Rio: líder de esquema bilionário ocupou chefia da Alfândega na gestão Bolsonaro
Porto do Rio: líder de esquema bilionário ocupou chefia da Alfândega na gestão Bolsonaro

As informações são do jornalista Lauro Jardim, do diário conservador carioca O Globo. Segundo a coluna, houve pressão interna tanto contra sua substituição quanto para que ele ocupasse cargos estratégicos. Dentro da Receita, ele é identificado como alinhado ao bolsonarismo.

No início deste mês, Pedro Thiago obteve aposentadoria voluntária com proventos integrais. A portaria concedendo o benefício está publicada no Diário Oficial da União de 8 de abril.

A Operação Mare Liberum foi deflagrada nesta terça-feira pela Polícia Federal, em conjunto com a Receita Federal e o Ministério Público Federal.

Durante as buscas, foram apreendidos milhões de reais em espécie, dólares e 54 garrafas de vinho avaliadas em cerca de R$ 700 cada.

As bebidas estavam na casa de um despachante investigado. Já o dinheiro estava na residência de uma auditora fiscal da Receita, na Barra da Tijuca, e ainda era contabilizado até a última atualização. Também houve apreensão de dólares em Niterói.

Prejuízo

De acordo com as autoridades, o esquema pode ter causado prejuízo de aproximadamente R$ 500 milhões aos cofres públicos. Ao todo, foram cumpridos 45 mandados de busca e apreensão contra importadores, despachantes e servidores públicos na capital fluminense, em Niterói, Nilópolis, Nova Friburgo e Vitória (ES).

Entre os alvos estão as alfândegas do Porto do Rio e do Galeão, além da Superintendência da Receita no Estado.

A Justiça determinou o afastamento de 17 auditores fiscais e 8 analistas tributários, além do bloqueio de até R$ 102 milhões em bens. Nove despachantes foram proibidos de atuar no Porto do Rio.

A apuração contou com apoio da Corregedoria da Receita e do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPF. Segundo os investigadores, havia facilitação de contrabando e descaminho mediante pagamento de vantagens indevidas, com liberação de cargas sem fiscalização adequada e divergências entre mercadorias e declarações de importação.

Os investigados poderão responder por estelionato majorado, associação criminosa, falsidade ideológica, corrupção ativa e passiva, descaminho, contrabando, sonegação fiscal, crimes contra a ordem tributária e lavagem de dinheiro.

O que diz a PortosRio?

Em nota, a PortosRio afirmou que não é alvo da investigação, ressaltou que a operação ocorre em áreas sob responsabilidade de órgãos federais e informou que as atividades no Porto do Rio seguem normalmente.

“A Autoridade Portuária do Rio de Janeiro (PortosRio) informa que a operação realizada nesta data pela Polícia Federal, em conjunto com a Receita Federal e o Ministério Público Federal, ocorre em áreas sob responsabilidade de órgãos federais instalados no Porto do Rio de Janeiro.

A Companhia esclarece que não é alvo da investigação e não possui qualquer relação com os fatos apurados, os quais dizem respeito exclusivamente a procedimentos conduzidos no âmbito da fiscalização aduaneira.

A Guarda Portuária da PortosRio acompanha a ação, prestando apoio no ordenamento e na segurança da área portuária, conforme suas atribuições institucionais.

A PortosRio reforça que colabora com as autoridades competentes e permanece à disposição para contribuir com o que for necessário.

A operação portuária segue normalmente, sem impactos nas atividades do Porto do Rio de Janeiro”.

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