Gama foi mencionada pela promotora Marina de Azevedo Pedersolli, da Primeira Promotoria Criminal de São Paulo, ao apoiar a apresentação de relatórios de inteligência financeira sobre a ONG.
Por Redação – de São Paulo
No rastro de mais de R$ 65 milhões movimentados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o pré-candidato do PL à Presidência da República, senador Flávio Bolsonaro (RJ), o Ministério Público de São Paulo (MPSP) apontou suspeitas de que os recursos de um contrato público firmado entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil (ICB) possam ter sido usados para financiar a produção do filme ‘Dark Horse’. A cinebiografia do ex-mandatário neofascista Jair Bolsonaro (PL) tem como produtora a suspeita Karina Ferreira da Gama, responsável pela gestão financeira do filme.

Gama foi mencionada pela promotora Marina de Azevedo Pedersolli, da Primeira Promotoria Criminal de São Paulo, ao apoiar a apresentação de relatórios de inteligência financeira sobre a ONG. Os documentos embasaram a operação deflagrada pela Polícia Civil nesta segunda-feira contra o ICB e Gama, que também é representante legal do Instituto.
O contrato sob investigação foi firmado pela Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (SMIT) com o objetivo de instalar 5 mil pontos de acesso à internet sem fio em comunidades periféricas da capital paulista. Pelo acordo, o Instituto Conhecer Brasil receberia R$ 108 milhões.
Contrato
De acordo com a apuração policial, haveria “flagrante discrepância de valores” entre o montante previsto no contrato e os parâmetros praticados no mercado. A investigação também aponta que a entidade teria instalado apenas 3,2 mil dos 5 mil pontos de internet previstos inicialmente.
Na manifestação, a promotora afirmou que o contrato firmado com o ICB teria reunido uma série de irregularidades.
“Consta da representação que o contrato firmado com o ICB teria apresentado diversas irregularidades apontadas em reportagens jornalísticas e em informações atribuídas ao Tribunal de Contas do Município, dentre elas possível direcionamento do chamamento público, ausência de capacidade técnica da entidade contratada, suposto sobrepreço nos valores pagos pela Administração Municipal, antecipação de repasses públicos e pagamentos por serviços supostamente não executados”, apontou a promotora.
Recursos
Pedersolli também destacou que a Polícia Civil levantou a hipótese de dispersão dos valores repassados pela administração municipal por meio de subcontratações com empresas privadas.
“A autoridade policial também menciona suspeitas de pulverização dos recursos públicos por meio de subcontratações com empresas privadas, além de possível utilização de valores oriundos do contrato público para financiamento de produção cinematográfica vinculada à investigada Karina”, acrescentou.
Na representação, Marina de Azevedo Pedersolli pediu a apresentação de relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) relacionados a Karina Ferreira da Gama. O período solicitado vai de 20 de junho de 2024 até o momento atual da investigação.