O governo do presidente Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, anunciou a cobrança adicional de 25% sobre produtos brasileiros.
Por Redação, com ABr – de Brasília
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou uma reunião de emergência no Palácio do Planalto nesta quinta-feira para definir a resposta do governo brasileiro à nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

Participaram do encontro o ministro da Fazenda, Dario Durigan; a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior; o ministro da Indústria, Desenvolvimento e Comércio, Márcio Elias Rosa; e o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. A nova ofensiva comercial dos Estados Unidos amplia a tensão entre Brasília e Washington e intensifica o debate sobre os impactos econômicos e diplomáticos da medida.
O governo do presidente Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, anunciou a cobrança adicional de 25% sobre produtos brasileiros, mas estabeleceu uma lista de exceções que inclui itens como petróleo, café e carne bovina.
Barreiras
Segundo o USTR, a nova tarifa entrará em vigor em 22 de julho e é resultado de uma investigação comercial iniciada há cerca de um ano com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento utilizado pelo governo norte-americano para apurar práticas consideradas desleais ou barreiras comerciais impostas por outros países.
Embora a medida tenha natureza comercial, os argumentos apresentados pelo governo norte-americano vão além da esfera econômica. O relatório divulgado pelo USTR reúne justificativas de caráter econômico, jurídico e ambiental para sustentar a aplicação da tarifa.
Além disso, integrantes da administração norte-americana reforçaram o componente político da decisão. O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, acusou o governo brasileiro de “não negociar de boa-fé”, ampliando o tom das críticas dirigidas ao Brasil.
Reciprocidade
Em resposta, o governo brasileiro divulgou uma nota oficial classificando a decisão dos Estados Unidos como um “marco lastimável” nas relações bilaterais e afirmando que “repudia a decisão” anunciada pelo governo norte-americano.
O presidente Lula também informou que pretende acionar a Lei da Reciprocidade, aprovada pelo Congresso Nacional, para responder às medidas adotadas por Washington.
Na nota, o governo sustenta que não há fundamento econômico para a decisão dos Estados Unidos e destaca dados oficiais da própria administração norte-americana.
“Não há justificativa para medidas unilaterais contra o nosso país. Segundo estatísticas do próprio governo norte-americano, os EUA acumularam nos últimos 15 anos US$ 424,5 bilhões em superávit de bens e serviços com o Brasil”, resume o comunicado.