O agronegócio, que historicamente busca manter pontes pragmáticas com grandes atores globais independentemente de alinhamentos partidários, reagiu após a imposição de novas tarifas conta o Brasil.
Por Redação – de Brasília
A irritação de setores decisivos do agronegócio brasileiro com a recente comitiva liderada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos Estados Unidos se intensificou diante da posição do parlamentar, apontando que a priorização de embates ideológicos e pautas de costumes enfraquece a representação dos interesses comerciais e econômicos do Brasil no mercado norte-americano.

O agronegócio, que historicamente busca manter pontes pragmáticas com grandes atores globais independentemente de alinhamentos partidários, reagiu após a imposição de novas tarifas conta o Brasil. Líderes do setor exigem o foco em negociações tarifárias, abertura de novos mercados e consolidação de parcerias bilaterais de exportação, especialmente diante do cenário econômico global de 2026.
Em vez disso, a narrativa de confronto político adotada pela comitiva bolsonarista foi vista como um elemento de distração que reduz a influência de Flávio Bolsonaro como um interlocutor viável e moderado junto a setores moderados e democratas nos EUA.
Discursos
A avaliação interna de empresários e entidades de classe do agro é de que o senador perde espaço ao insistir em discursos polarizados. A percepção é que o pragmatismo econômico deve se sobrepor à militância partidária para evitar barreiras comerciais desnecessárias ao produto brasileiro no exterior.
Além de incentivar a política discriminatória dos EUA, a maioria dos brasileiros acredita que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não tem influência suficiente para convencer o governo de Donald Trump a rever as tarifas impostas contra produtos brasileiros. É o que mostra pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quinta-feira.
O levantamento revela que 58% dos entrevistados avaliam que Flávio não tem força para obter a reversão das medidas.
Viagem
Embora os resultados tenham sido publicados nesta quinta-feira, a pesquisa foi realizada presencialmente entre 10 e 13 de julho, antes de os Estados Unidos anunciarem, na véspera, a imposição de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.
A pesquisa também investigou o grau de conhecimento da população sobre a viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos para tratar das tarifas. Segundo o levantamento, 57% afirmaram que não sabiam da viagem do senador, enquanto 43% disseram estar informados sobre o deslocamento.
Os dados da Quaest também indicam que o episódio das tarifas beneficia mais politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) do que Flávio Bolsonaro.
Narrativa
Na comparação com a rodada anterior da pesquisa, realizada em junho, Lula avançou de 39% para 42%, enquanto Flávio recuou de 30% para 27%. Os percentuais de “outro candidato” e de indecisos permaneceram estáveis. O levantamento também avaliou qual narrativa sobre as tarifas convence mais os brasileiros.
Aos entrevistados foram apresentadas as explicações do presidente Lula e de Flávio Bolsonaro. No total, 49% disseram concordar mais com a explicação de Lula, índice superior aos 46% registrados em junho. Já 33% afirmaram concordar mais com Flávio Bolsonaro, abaixo dos 36% da pesquisa anterior.
A Quaest ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em todo o país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com 95% de nível de confiança. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).