Rio de Janeiro, 14 de Julho de 2026

Governo brasileiro aguarda novo ‘tarifaço’ por parte dos EUA

O tarifaço, de acordo com observadores próximos às negociações, tem motivação política, e não estritamente econômica.

Terça, 14 de Julho de 2026 às 21:49, por: CdB

O tarifaço, de acordo com observadores próximos às negociações, tem motivação política, e não estritamente econômica.

Por Redação, com ABr – de Brasília

Sem previsão de acordo à vista, vence nesta quarta-feira o prazo estabelecido pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) para definir sobre a aplicação, ou não, da tarifa adicional de 25% sobre a importação de parte dos produtos brasileiros.

Mauro Vieira
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, acompanha as negociações com os EUA

Contribuem para dificultar o acordo tanto a negativa do Brasil de negociar mudanças no PIX quanto a oposição dos Estados Unidos (EUA) em aceitar a redução da sobretaxa que o país impõe ao açúcar brasileiro em troca de mudanças na tarifa do etanol que entra no Brasil.

O tarifaço, de acordo com observadores próximos às negociações, tem motivação política, e não estritamente econômica. Nesse contexto, serviria como mecanismo de pressão para enquadrar o Brasil na nova doutrina do governo Donald Trump para América Latina.

 

China

Apelidada de corolário Trump à Doutrina Monroe, a nova política de segurança dos EUA busca reafirmar a proeminência de Washington no continente frente à ascensão econômica da China. O professor de direito internacional Paulo Borba Casella, da Universidade de São Paulo (USP), afirmou que os EUA “não disfarçam” que a medida tem motivação política, dificultando o fechamento de um acordo.

Casella relembrou que Trump chamou o Brasil de país “desagradável” e que o tarifaço proposto é uma forma de “interferir na política interna”.

— Qualquer negociação e possível acordo dependem de interesse e boa vontade recíprocas. Na medida em que isso não seja encontrado por parte deles, ficaria difícil de alcançar algum entendimento — observou.

 

Washington

Usando a Seção 301 da legislação norte-americana, o USTR alega “prática desleal” do Brasil em relação ao PIX, etanol, desmatamento ilegal, entre outros pontos.

O professor de relações internacionais do Ibmec-SP Alexandre Pires destacou que o governo Trump tem “endurecido” a postura com países que não estão alinhados às políticas de Washington, o que incluiria o Brasil.

— A Casa Branca busca realinhar o Hemisfério Ocidental aos EUA e afastá-lo da influência econômica e tecnológica chinesa. O Brasil nos últimos 20 anos fortaleceu seus laços com a China, diante de um fechamento cada vez maior dos parceiros tradicionais, Europa e América do Norte — concluiu.

 

Práticas

Para Alexandre Pires, apesar de o Brasil também praticar o protecionismo comercial em algumas áreas, o contexto internacional está mais politizado e tenso, colocando as práticas brasileiras “sob escrutínio”.

— O desejo dos EUA é a eliminação das barreiras comerciais brasileiras em relação às empresas americanas, mas não é algo factível no curtíssimo prazo — completou o professor.

Em resposta às acusações dos EUA de prática comercial “desleal” por parte do Brasil, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, rebateu cada uma das alegações do USTR.

— Isso (o tarifaço) oneraria uma relação bilateral de comércio e investimento que é claramente importante para ambos os lados, ao mesmo tempo que reduziria o espaço para o diálogo mais capaz de produzir resultados práticos — concluiu Vieira.

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