Rio de Janeiro, 11 de Julho de 2026

O fim do sonho americano

Por Val Carvalho - O que vemos é a forte crosta do capitalismo norte-americano sendo crescentemente rachada pela crise social que se alastra em suas...

Sábado, 11 de Julho de 2026 às 16:08, por: CdB

O que vemos é a forte crosta do capitalismo norte-americano sendo crescentemente rachada pela crise social que se alastra em suas profundezas, causada pela contínua e enorme concentração de capital.

Por Val Carvalho – do Rio de Janeiro

Fim do sonho norte-americano! Pesquisa recente divulgada pelo The Wall Street Journal  em parceria com o NORC mostra que 51% dos norte-americanos (em 2015 eram 40%) não acreditam mais que o capitalismo funcione adequadamente e consideram que ele favorece desproporcionalmente as grandes corporações. É o fim do sonho norte-americano!

miséria,eua
Mais e mais norte-americanos têm sido jogados na miséria por um sistema em decadência

O que vemos é a forte crosta do capitalismo norte-americano sendo crescentemente rachada pela crise social que se alastra em suas profundezas, causada pela contínua e enorme concentração de capital, renda e poder nas mãos das grandes corporações.

Marx já apontava a crescente concentração do capital e a consequente crise social como tendências estruturais do capitalismo. Hoje, na época do poder das Big Techs e da Inteligência Artificial (IA), essa concentração é exorbitante, refletindo o poder do 1% mais rico sobre os 99% restantes da população.

 

Fascismo

Essa tendência do capitalismo à crescente concentração do capital e da renda reforça, igualmente, sua tendência de negar a democracia e recorrer ao fascismo. Daí surgem teorias como as do “feudalismo digital”, da “república tecnológica” e da “monarquia corporativa digital”, entre outras.

Mas, ao mesmo tempo em que desenvolve uma extrema concentração de renda, o capitalismo também produz a crise social que a questiona, podendo essa crise atingir o patamar de confronto aberto com esse sistema excludente, opressor e repressivo.

Desse modo, essa contradição fundamental do capitalismo não consegue evitar a alternância conjuntural, dentro dos limites do próprio sistema, entre democracia e fascismo.

 

Sistema

O fascismo é o reino da barbárie, da eliminação das liberdades democráticas e individuais. Por isso, as classes populares precisam se unir em uma ampla frente com setores da burguesia não fascista para reconquistar a democracia e, assim, abrir espaço para a disputa clara e direta entre capitalismo e socialismo.

A crise social que cresce nos Estados Unidos e se torna mais intensa sob o atual governo autoritário de Trump demonstra isso: a percepção de que não apenas a democracia norte-americana, mas o próprio sistema capitalista, deixou de funcionar adequadamente.

No Brasil, onde a concentração de capital, renda e poder remonta ao período colonial escravista, mantém-se durante a monarquia escravista e se amplia com a República da exclusão social, a democracia só se fez presente, ainda que de forma limitada, em alguns momentos históricos: na redemocratização de 1945 a 1964 e na redemocratização iniciada em 1985, consolidada com a Constituição de 1988, até os dias atuais, quando a chamada Nova República atravessa uma profunda crise institucional e permanece sob a ameaça do fascismo bolsonarista.

 

Renovação

Nas eleições mais tensas desde a redemocratização, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não se deixou isolar pelo sistema reacionário que age pela polarização de uma extrema-direita vassala de Trump. O movimento democrático e popular pela sua reeleição vem demonstrando grande força e ver crescer a possibilidade de vitória no primeiro turno. 

A reeleição de Lula, se acompanhada, como lutamos para ser, pela renovação democrática do Congresso e a eleição de governadores petistas e aliados, terá todas as condições para consolidar o projeto neodesenvolvimentista, sustentável, inclusivo e soberano capaz de fazer o Brasil superar finalmente suas heranças coloniais, escravistas e reacionárias.

Val Carvalho é articulista do Correio do Brasil.

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