Feito marca um avanço tecnológico do programa espacial chinês e pode reduzir custos de lançamentos, aproximando o país de SpaceX e Blue Origin.
Por Redação, com Brasil 247 – de Pequim
A China alcançou um marco inédito em seu programa espacial ao realizar, pela primeira vez, o pouso bem-sucedido de um foguete reutilizável. O feito representa um avanço significativo na estratégia do país para reduzir os custos de lançamentos espaciais e ampliar sua competitividade no setor. As informações foram divulgadas em comunicado da estatal China Aerospace Science and Technology Corporation (CASC).

Segundo a empresa, o foguete Long March 10B foi lançado às 12h15 desta sexta-feira (horário local) a partir da província de Hainan, no sul da China. Cerca de seis minutos após a separação do estágio superior, o propulsor retornou à Terra em uma descida controlada e foi recuperado com sucesso sobre uma plataforma flutuante no mar.
O resultado coloca a China em um grupo restrito de países capazes de recuperar foguetes para reutilização, tecnologia considerada essencial para reduzir os custos de missões espaciais e aumentar a frequência de lançamentos. Até então, os maiores avanços nessa área eram liderados pela norte-americana SpaceX, de Elon Musk, e pela Blue Origin, fundada por Jeff Bezos.
Tradicionalmente, foguetes são projetados para uso único. Após cumprirem sua função durante a subida, seus diferentes estágios são descartados e destruídos, tornando as operações espaciais extremamente caras. A recuperação dos propulsores, considerados os componentes mais valiosos da estrutura, permite reutilizá-los em novas missões, reduzindo significativamente os custos de lançamento de satélites e de futuras operações de exploração espacial.
SpaceX
A SpaceX abriu caminho para essa tecnologia em dezembro de 2015, quando conseguiu pousar pela primeira vez um foguete Falcon 9 após uma missão orbital. Desde então, a empresa aperfeiçoou o sistema e atualmente realiza aproximadamente 150 lançamentos por ano com propulsores capazes de serem reutilizados dezenas de vezes. A Blue Origin também passou a operar foguetes reutilizáveis, com o modelo New Glenn, que realizou seu primeiro pouso em novembro de 2025.
O Long March 10B é frequentemente comparado ao Falcon 9 por suas capacidades. O foguete chinês pode transportar cargas de pelo menos 16 toneladas para a órbita baixa da Terra, mas adota um método de recuperação diferente do utilizado pela empresa de Elon Musk.
Enquanto o Falcon 9 pousa de forma autônoma sobre plataformas terrestres ou embarcações-drone no oceano, o Long March 10B utiliza um sistema de “ganchos de pouso”. Durante a descida, esses dispositivos prendem o foguete a uma rede instalada sobre uma plataforma flutuante, permitindo sua recuperação sem a necessidade de um pouso convencional.
O sucesso da missão representa uma evolução em relação ao primeiro teste realizado pela China em fevereiro deste ano. Na ocasião, um foguete Long March 10A executou uma descida controlada, mas terminou a operação com um pouso na água ao lado da plataforma de recuperação, sem completar a técnica agora demonstrada.
O anúncio também teve impacto imediato no mercado financeiro chinês. As ações de empresas do setor espacial registraram forte valorização após a divulgação do resultado. Os papéis da China Spacesat e da China Satellite Communications subiram 10%, atingindo o limite diário de alta permitido pelas regras do mercado financeiro da China.