Este foi o terceiro apagão na ilha nos últimos seis meses e o oitavo desde o fim de 2024.
Por Redação, com RFI – de Havana
Cuba anunciou nesta terça-feira que restabeleceu mais de 30% do fornecimento de energia elétrica na capital Havana, após um novo apagão nacional, em um contexto de crise energética agravada por um bloqueio de combustíveis dos Estados Unidos.

Este foi o terceiro apagão na ilha nos últimos seis meses e o oitavo desde o fim de 2024. Em Havana, a Empresa Elétrica informou que o fornecimento já havia sido restabelecido para cerca de 262 mil clientes, o equivalente a pouco mais de 30% dos consumidores da capital.
Segundo a empresa, a energia está voltando gradualmente, de acordo com as condições operacionais do sistema. Hospitais e outros serviços essenciais tiveram prioridade no processo de reconexão.
A escassez de combustível continua sendo um dos principais obstáculos para a recuperação da rede elétrica. Em entrevista à televisão estatal na segunda-feira, o diretor de Eletricidade do Ministério de Minas e Energia, Lázaro Guerra, afirmou que a falta de combustível dificulta o restabelecimento do serviço.
O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, voltou a atribuir a crise energética ao embargo imposto pelos Estados Unidos. Em publicação na rede X, ele acusou Washington de tentar provocar uma explosão social na ilha ao restringir o acesso do país a combustíveis. “Enquanto os Estados Unidos tentam induzir uma explosão social por asfixia, ao bloquear os acessos de combustível a Cuba, a UNE (União Elétrica de Cuba) se mobiliza”, escreveu.
O apagão começou por volta do meio-dia de segunda-feira, quando o sistema elétrico nacional entrou em colapso, deixando sem energia boa parte dos 9,6 milhões de habitantes de Cuba. As autoridades ainda não divulgaram as causas da falha.
Mientras EE.UU trata de inducir un estallido social por asfixia, al bloquear los accesos de combustible a #Cuba, la UNE se moviliza para revertir la caída del SEN.
Crise energética
Cuba atravessa uma grave crise econômica marcada pela escassez de alimentos e medicamentos e pela inflação elevada. Os apagões se intensificaram desde que o governo de Donald Trump interrompeu os envios de petróleo da Venezuela, principal fornecedora da ilha, e ameaçou impor sanções a outros países que comercializem combustível com Havana.
O envelhecimento do sistema elétrico e o bloqueio norte-americano desde janeiro fazem com que os cubanos enfrentem apagões de até 30 horas na capital e de vários dias no interior da ilha. Moradores
Para muitos moradores, a incerteza é tão desgastante quanto a falta de energia. Meybol Font, uma trabalhadora autônoma de 51 anos, contou que, antes do novo apagão, sua região recebia apenas três ou quatro horas de eletricidade por dia. Segundo ela, a angústia agora é não saber quando mesmo esse curto período de fornecimento será restabelecido.
A produção de eletricidade no país depende principalmente de sete usinas termelétricas obsoletas, algumas das quais operam há mais de 40 anos e sofrem falhas frequentes ou precisam ser paralisadas para manutenção, além de uma rede de geradores de emergência abastecidos com diesel importado.
Para esta terça-feira, Cuba solicitou uma sessão especial da Assembleia Geral da ONU para discutir as sanções norte-americanas. É necessária, no entanto, uma votação dos Estados-membros para a abertura de um debate desse tipo na Assembleia Geral.