A Uefa afirmou que a instituição máxima do futebol mundial “cruzou uma linha vermelha” ao suspender os efeitos da expulsão do jogador dos Estados Unidos.
Por Redação, com ANSA – de Bruxelas
A decisão da Fifa de revogar o cartão vermelho aplicado ao atacante norte-americano Folarin Balogun durante a Copa do Mundo de 2026 provocou forte reação no futebol europeu e abriu uma crise institucional às vésperas das oitavas de final do torneio.

Balogun havia sido expulso pelo árbitro brasileiro Raphael Claus
Em comunicado divulgado nesta segunda-feira, a Uefa afirmou que a instituição máxima do futebol mundial “cruzou uma linha vermelha” ao suspender os efeitos da expulsão do jogador dos Estados Unidos, classificando a medida como “sem precedentes, incompreensível e injustificável”.
“O futebol, como qualquer outro esporte, baseia-se em regras que constituem o alicerce de uma competição justa, honesta e transparente. Às vezes, as regras estão sujeitas a interpretação. Neste caso, não é assim”, continuou a instituição europeia.
Segundo a Uefa, “quando a certeza das regras deixa de ser garantida por seus guardiões, a integridade do jogo é colocada em perigo e a credibilidade de uma competição é minada”.
EUA
A polêmica teve início após Balogun ser expulso na vitória de 2 a 0 dos Estados Unidos sobre a Bósnia e Herzegovina pela segunda fase da Copa do Mundo.
Autor de três gols no Mundial, o atacante foi expulso pelo árbitro brasileiro Raphael Claus após dar uma entrada com as travas da chuteira no tornozelo de um jogador da Bósnia.
Posteriormente, a Fifa decidiu revogar a suspensão, tornando o atacante apto para enfrentar a Bélgica nas oitavas de final.
A decisão também gerou críticas no meio político europeu. O vice-premiê e ministro das Relações Exteriores da Bélgica, Maxime Prévot, classificou a medida como “incompreensível” e afirmou que, caso tenha sido motivada por influência externa, “equivaleria a minar as regras mais básicas do futebol e do esporte”.
Ex-árbitro de futebol, Prévot declarou que a decisão desperta muitas dúvidas: “Sempre me empenhei em fazer cumprir as regras e garantir decisões justas. Essa decisão claramente levanta muitas questões”.
Em contrapartida, o comissário europeu para o Esporte, Glenn Micallef, embora tenha considerado a revogação um equívoco como torcedor, defendeu que questões esportivas devem permanecer sob responsabilidade das entidades do futebol.
Segundo ele, a autonomia do esporte precisa ser preservada e os esforços devem se concentrar nos desafios de governança do setor, evitando interferências políticas.
Na Itália, Giovanni Malagò, presidente da Federação Italiana de Futebol (FIGC), criticou duramente a decisão, classificando como um “caso estranho” e um “absurdo”.
Em entrevista à Rai Radio1, o italiano afirmou ainda que o caso representa “um precedente muito perigoso” e sugeriu que a medida teve motivação política.
– Sou entusiasta desta Copa do Mundo – com estádios lotados e grande empolgação – , mas quando se vê uma decisão como essa, perde-se a meritocracia que está na essência do futebol – declarou.
Do lado norte-americano, porém, o técnico Mauricio Pochettino defendeu a atuação da Fifa, enfatizando que a expulsão de Balogun foi “excessiva” para uma falta não intencional e jamais deveria ter resultado em cartão vermelho.
O treinador ressaltou que os Estados Unidos “não são os vilões” da situação e afirmou que o foco da equipe permanece na preparação para o confronto contra a Bélgica.
Enquanto isso, a Federação Belga de Futebol formalizou uma contestação da decisão junto à Fifa. Segundo informações divulgadas pelo jornal belga Le Soir, a instituição enviou uma carta que foi tratada pela entidade máxima do futebol como um recurso, levando o caso ao Comitê de Apelação em caráter de urgência.
A expectativa é que uma decisão definitiva seja anunciada antes da partida entre Bélgica e Estados Unidos, marcada para esta segunda-feira, em um dos confrontos mais aguardados das oitavas de final da Copa do Mundo.