Rio de Janeiro, 11 de Julho de 2026

Tensão no Oriente Médio cresce após ameaças entre EUA e Irã

Trump promete "dizimar" o Irã se país tentar assassiná-lo. Líder supremo iraniano jura vingança pela morte de seu pai. Instabilidade mina acordo provisório...

Sábado, 11 de Julho de 2026 às 10:50, por: CdB

Trump promete “dizimar” o Irã se país tentar assassiná-lo. Líder supremo iraniano jura vingança pela morte de seu pai. Instabilidade mina acordo provisório para encerrar a guerra.

Por Redação, com DW – de Washington, Teerã

Os líderes dos Estados Unidos e do Irã trocaram novas ameaças neste sábado, enquanto o acordo provisório para encerrar a guerra enfrenta fortes tensões no Oriente Médio.

Manifestantes carregam faixa contra Trump no dia do sepultamento de Ali Khamenei

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aumentou as ameaças de novos ataques com mísseis contra o Irã em uma série de publicações na rede Truth Social. As declarações ocorreram após altos funcionários norte-americanos exigirem que o Irã fizesse uma declaração pública afirmando que o Estreito de Ormuz está aberto e que os navios que cruzam essa importante rota marítima não serão atacados.

Trump também fez os comentários após o funeral do líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, durante o qual houve manifestações públicas pedindo a morte do presidente norte-americano.

“Vingança”

Mais tarde, neste sábado, o líder supremo iraniano Mojtaba Khamenei prometeu que os iranianos continuariam buscando vingança pela morte de seu pai, Ali Khamenei, homenageado em cerimônias fúnebres realizadas em todo o Irã nesta semana.

Em declarações por escrito e lidas pela televisão estatal, ele afirmou que essa vingança “é a vontade de nossa nação e deve, inevitavelmente, ser concretizada”. 

– Essa questão não depende da minha existência pessoal nem da de outras autoridades. Estejamos nós presentes ou não, ela acontecerá – acrescentou, em sua primeira declaração desde o funeral de seu pai.

Até o momento, Teerã não cedeu às exigências dos EUA relacionadas ao Estreito de Ormuz. Em vez disso, insiste que a passagem permaneça sob seu controle e que lhe seja permitido cobrar taxas das embarcações que transitam pelo local.

Nos últimos dias ocorreram diversos ataques aéreos dos EUA contra o Irã, além de ações retaliatórias iranianas direcionadas a países do Oriente Médio. Esses confrontos foram desencadeados após o Irã atacar três navios no estreito no início da semana.

Na sexta-feira, Trump declarou na Truth Social que o cessar-fogo havia terminado, mas afirmou que os Estados Unidos continuariam as negociações. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, viajou para Omã neste sábado para novas conversas, um dia após mediadores do Catar terem se deslocado ao Irã para reuniões com autoridades em meio às tensões regionais.

Trump ameaça

– Mil mísseis estão armados, prontos para serem lançados e apontados para a República Islâmica do Irã, com milhares de outros preparados para seguir imediatamente caso o governo iraniano cumpra sua ameaça – escreveu Trump em seu site.

O presidente norte-americano afirmou estar respondendo a ameaças de “assassiná-lo ou tentar assassiná-lo”. Durante o funeral de Khamenei, diversos participantes exibiram cartazes e faixas pedindo a morte de Trump e também do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

Os momentos iniciais da guerra, em 28 de fevereiro, incluíram um ataque aéreo que matou Khamenei, aos 86 anos. O Irã só realizou seu sepultamento nesta semana, após vários dias de cerimônias fúnebres durante as quais seu corpo foi levado a cidades do Irã e do Iraque.

Trump acrescentou que as Forças Armadas dos EUA “dizimariam e destruiriam completamente todas as áreas do Irã — Louvado seja Allah!”

Ao longo da guerra e do frágil cessar-fogo, Trump tem repetidamente invocado o nome de Deus em árabe e ameaçado destruir a própria civilização iraniana. O Conselho para Relações Islâmico-Americanas (CAIR), organização nacional de defesa dos direitos civis, já criticou anteriormente o que classificou como a “zombaria desequilibrada do Islã” feita por Trump.

Ormuz

Autoridades norte-americanas, que falaram sob condição de anonimato, afirmaram que a retomada dos ataques nesta semana ocorreu após o que descreveram como uma facção dissidente de linha-dura iraniana tentando sabotar o cessar-fogo entre Teerã e Washington.

O Irã, porém, insiste que sua teocracia permanece unificada após a guerra sob a liderança do novo líder supremo do país.

As autoridades dos EUA disseram na sexta-feira que Trump está dando aos negociadores norte-americanos um prazo limitado para alcançar um acordo com o Irã. No entanto, ressaltaram que o presidente dispõe de diversas opções caso as negociações fracassem.

Pouco antes dessas declarações, o representante iraniano nas Nações Unidas afirmou a jornalistas que qualquer atividade no Estreito de Ormuz, incluindo sua abertura ou operações de remoção de minas, “depende exclusivamente do Irã”.

Mediadores do Qatar viajaram separadamente ao Irã na sexta-feira para se reunir com autoridades locais, informou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghaei.

O Irã declarou que o estreito deve ficar sob seu controle exclusivo e que as embarcações devem começar a pagar taxas a Teerã, apesar de o mundo considerar a rota uma via marítima internacional há décadas. Antes da guerra, cerca de um quinto de todo o petróleo e gás natural comercializados globalmente passava pelo estreito.

O controle iraniano sobre a passagem durante o conflito provocou uma crise energética mundial, embora os preços do petróleo tenham caído significativamente desde os picos de guerra, quando atingiram 120 dólares por barril.

Tensão no Oriente Médio

Após os EUA concluírem sua mais recente rodada de ataques na quinta-feira, novos bombardeios atingiram o Irã, levantando dúvidas sobre quem mais pode estar atacando a República Islâmica.

Israel não assumiu a autoria, o que leva à especulação de que países árabes do Golfo possam estar envolvidos, possivelmente como forma de dissuadir novos ataques iranianos. 

Na quinta-feira, o Irã respondeu aos ataques dos Estados Unidos ao atingir Bahrein, Jordânia, Kuwait e Qatar.

Os ataques realizados em território iraniano ao longo de dois dias deixaram ao menos 17 mortos e 115 feridos, segundo o porta-voz do Ministério da Saúde do Irã, Hossein Kermanpour.

Do outro lado do Estreito de Ormuz, Abbas Araghchi tinha agenda para se reunir neste sábado com seu homólogo de Omã. O ministro das Relações Exteriores da Turquia, Hakan Fidan, declarou à emissora estatal TRT que acreditava que “uma solução pode ser alcançada” neste fim de semana entre Irã e Omã, países localizados em lados opostos da estreita passagem marítima.

No entanto, Araghchi acusou os Estados Unidos de violarem o acordo provisório ao encerrarem as autorizações que permitiam ao Irã vender petróleo bruto no mercado internacional em dólares norte-americanos. Washington adotou essa medida em resposta aos ataques contra navios no estreito.

– Chegou a hora de encarar a realidade: só pode haver cumprimento mútuo – escreveu Araghchi na rede social X.

Os Estados Unidos continuam orientando embarcações a utilizarem uma rota mais ao sul, através das águas territoriais de Omã, para evitar águas iranianas e a atuação da Guarda Revolucionária. Essa orientação irritou Teerã e provocou os ataques no estreito.

EUA: acordo nuclear exigirá entrega do urânio enriquecido.

As autoridades norte-americanas também informaram aos jornalistas que qualquer acordo relacionado ao programa nuclear iraniano exigirá que Teerã entregue seu estoque de urânio altamente enriquecido. Trata-se de uma exigência que o Irã tem rejeitado repetidamente.

Segundo essas autoridades, caso os Estados Unidos não consigam firmar um acordo para que o Irã entregue seu material nuclear, existem opções militares para garantir que esse material permaneça enterrado no subsolo de forma permanente. Os representantes não forneceram detalhes sobre essas alternativas.

Acredita-se que o urânio, enriquecido a níveis próximos aos necessários para a fabricação de armas nucleares, esteja armazenado em instalações nucleares que foram bombardeadas pelos Estados Unidos em 2025. O Irã sustenta há muito tempo que seu programa nuclear tem fins pacíficos, apesar de a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) afirmar que a República Islâmica é o único país do mundo a enriquecer urânio a níveis tão elevados sem possuir oficialmente um programa de armas nucleares.

As autoridades norte-americanas também enfatizaram que jamais chegarão a um acordo nuclear com o Irã caso o país não interrompa previamente os ataques contra navios no Estreito de Ormuz.

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