Rio de Janeiro, 14 de Julho de 2026

Teerã enfrenta nova pressão dos EUA após pedágio em Ormuz

O presidente Donald Trump anunciou que Washington voltará a impor um bloqueio aos portos iranianos localizados na região do Golfo.

Terça, 14 de Julho de 2026 às 10:39, por: CdB

O presidente Donald Trump anunciou que Washington voltará a impor um bloqueio aos portos iranianos localizados na região do Golfo.

Por Redação, com RFI – de Teerã

A escalada entre Estados Unidos e Irã ganhou um novo componente econômico nesta terça-feira, com a entrada em vigor do bloqueio naval norte-americano aos portos iranianos e a ameaça de novas taxas sobre as cargas que transitam pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta para o comércio de petróleo e gás.

Navio no Estreito de Ormuz, visto de Musandam, em Omã

O presidente Donald Trump anunciou que Washington voltará a impor um bloqueio aos portos iranianos localizados na região do Golfo e afirmou que os Estados Unidos passarão a cobrar uma tarifa equivalente a 20% do valor das cargas transportadas pelo Estreito de Ormuz em troca da proteção da navegação na região.

– Ormuz está aberto e continuará aberto, com ou sem o Irã – escreveu Trump em sua rede Truth Social, ao defender que os Estados Unidos deveriam ser remunerados pelo custo militar de garantir a segurança da passagem marítima.

Lula

A proposta provocou forte reação internacional. O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou que os Estados Unidos estariam se comportando como “piratas” caso imponham a cobrança, enquanto Teerã acusou Washington de violar o direito internacional e lembrou que a liberdade de navegação em águas internacionais não pode ser condicionada ao pagamento de pedágios.

O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, respondeu ironicamente que, se alguém deve cobrar pela segurança da passagem, esse país seria o próprio Irã, responsável pelo controle das margens do estreito.

Ao mesmo tempo, o Parlamento iraniano iniciou a tramitação de um projeto de lei para criar sua própria taxa de circulação em Ormuz, aprofundando a disputa pelo controle da principal artéria energética do mundo.

Cerca de um quinto do petróleo consumido globalmente atravessa diariamente o estreito, situado entre Irã e Omã e conectando os produtores do Golfo aos mercados asiáticos e europeus.

Mais confrontos

Os Estados Unidos realizaram uma terceira noite consecutiva de bombardeios contra instalações iranianas. Segundo o Comando Central norte-americano (Centcom), os ataques atingiram sistemas de defesa costeira, plataformas de lançamento de mísseis e drones e infraestruturas navais nas regiões de Bandar Abbas e Bushehr, no sul do Irã.

Washington afirmou que o objetivo das operações é reduzir a capacidade iraniana de atacar a navegação comercial e proteger o tráfego marítimo em Ormuz.

Em resposta, a Guarda Revolucionária iraniana anunciou ataques contra interesses americanos e aliados dos Estados Unidos na região.

O governo de Bahrein informou ter interceptado diversos projéteis lançados pelo Irã contra seu território, enquanto a Jordânia afirmou ter destruído quatro mísseis iranianos que penetraram seu espaço aéreo sem causar vítimas ou danos materiais.

Segundo a imprensa iraniana, uma base aérea americana na Jordânia também foi alvo de mísseis balísticos disparados pela Guarda Revolucionária.

No Estreito de Ormuz, a tensão aumentou ainda mais após os Emirados Árabes Unidos denunciarem ataques iranianos contra dois petroleiros emiradenses. Um tripulante indiano morreu e outros oito ficaram feridos, segundo Abu Dhabi.

A agência britânica de segurança marítima UKMTO informou separadamente que um navio foi atingido por um míssil ao largo da costa de Omã, embora não tenha sido possível confirmar imediatamente se se tratava do mesmo incidente.

A Guarda Revolucionária afirmou ainda ter interceptado dois petroleiros que tentavam utilizar rotas consideradas ilegais após desligarem seus sistemas de navegação, acusando os Estados Unidos de incentivar embarcações a ignorar as restrições impostas por Teerã.

O mercado internacional reage.

A deterioração da segurança na região voltou a pressionar os mercados internacionais de energia.

O barril do petróleo Brent ultrapassou os US$ 85 pela primeira vez em mais de um mês, depois de já ter registrado uma alta superior a 9% na sessão anterior. O petróleo americano WTI também avançou e voltou a superar os US$ 80 por barril.

Apesar da escalada militar, Trump afirmou acreditar que um acordo com Teerã continua sendo possível.

– Sim, acredito que um acordo é possível – declarou o presidente norte-americano no Salão Oval, poucas horas depois do início da nova ofensiva militar.

Teerã, no entanto, considera que o memorando de entendimento que havia permitido a trégua de abril está agora “em crise”, embora mediadores do Qatar, Omã e Paquistão continuem tentando evitar uma guerra regional de maiores proporções.

Edições digital e impressa