Rio de Janeiro, 23 de Fevereiro de 2026

Deputado do PT revela ‘acordão imoral para anistiar golpistas’

Lindbergh Farias revela articulação no Congresso para anistiar Jair Bolsonaro e generais golpistas em troca de enterrar CPI do Banco Master. Saiba mais.

Segunda, 23 de Fevereiro de 2026 às 19:37, por: CdB

Em publicação nas redes sociais, o parlamentar declarou que “o bolsonarismo está querendo costurar um acordão para enterrar a CPI do Banco Master em troca de votar a anistia para (Jair) Bolsonaro (PL) e os generais golpistas”.

Por Redação – de Brasília

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) revelou, nesta segunda-feira, a existência de uma articulação no Congresso para derrubar o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Projeto de Lei ‘(PL) da Dosimetria’ e, em contrapartida, esfriar a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Banco Master. Segundo Farias, a movimentação configuraria um “acordão imoral para anistiar golpistas”.

Deputado do PT revela ‘acordão imoral para anistiar golpistas’ | O deputado Lindbergh Farias denuncia articulação da extrema direita
O deputado Lindbergh Farias denuncia articulação da extrema direita

Em publicação nas redes sociais, o parlamentar declarou que “o bolsonarismo está querendo costurar um acordão para enterrar a CPI do Banco Master em troca de votar a anistia para (Jair) Bolsonaro (PL) e os generais golpistas”. E acrescentou: “Nós vamos denunciar essa vergonha e exigir a leitura para a instalação da CPI na sessão do Congresso. Que tudo seja investigado!”.

De acordo com Lindbergh, a proposta beneficiaria diretamente o ex-mandatário neofascista e militares condenados.

 

Generais

“A cúpula do Congresso planeja derrubar o veto do presidente Lula àquele projeto de dosimetria, que nada mais é do que anistia para golpista. O Bolsonaro foi condenado a 27 anos, de 6 a 8 em regime fechado. Cairia para 2 anos e quatro meses. É para proteger também os generais que estão presos lá com o Bolsonaro”, afirmou, na nota.

O deputado convocou mobilização social contra a eventual derrubada do veto presidencial.

“Nós vamos lutar e vamos precisar de vocês se mobilizando, nas ruas e nas redes”, disse. Em outro trecho, reforçou: “É uma vergonha, que nós vamos ter que responder com mobilização da sociedade”, acrescentou.

 

Sessões

A proposta pode reduzir o tempo de prisão de Bolsonaro, hoje fixado entre 6 e 8 anos em regime fechado, para um intervalo que varia de 2 anos e 4 meses a 4 anos e 2 meses, a depender da interpretação adotada. Para que vetos presidenciais sejam analisados, cabe ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), convocar sessão conjunta de deputados e senadores.

Desde a abertura do ano legislativo, Alcolumbre vem adianto a convocação. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), também resiste à instalação de uma comissão sobre o tema.

Líderes do chamado ‘Centrão’ atuam para blindar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, que deixou a relatoria do processo relacionado ao caso, e criticam o que classificam como uma ‘Lava Jato 2’, apontando suposto prejulgamento e “vazamento seletivo” de informações envolvendo políticos e integrantes da Corte.

 

Pressão

Nos bastidores, a estratégia das presidências da Câmara e do Senado seria negociar com a oposição a realização da sessão para análise do veto ao ‘PL da Dosimetria’, conforme denunciou o deputado Lindberg Farias, com a garantia de que não haverá pressão para leitura do requerimento da CPI mista do Master.

A oposição ao governo Lula, especialmente parlamentares alinhados a Bolsonaro, pressiona para que o veto seja pautado. A expectativa desse grupo é que o Congresso derrube a decisão presidencial, beneficiando, além do ex-presidente, outros condenados pelos atos de 8 de janeiro e pela trama golpista.

Para manter o veto, o PT precisaria reverter ao menos sete votos favoráveis ao projeto no Senado — cenário que, segundo petistas, não é descartado. A rejeição do veto exige maioria absoluta: 257 deputados e 41 senadores. O texto foi aprovado anteriormente com 291 votos na Câmara e 48 no Senado.

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