Embora discursos oficiais indiquem que Lula teria recebido o resultado com tranquilidade, observadores apontam forte insatisfação no governo.
Por Redação – de Brasília
A imposição de uma derrota histórica na noite passada, no Senado, significou para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a gota d’água no relacionamento com o presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (UB-AP), principal articulador na rejeição do nome do advogado-Geral da União (AGU) Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF). A avaliação, compartilhada por interlocutores do presidente nesta quinta-feira, é de que a atuação do senador comprometeu de maneira irreversível o vínculo político entre o Planalto e o Senado.

O sentimento predominante entre aliados do presidente é de frustração e indignação com a trama conduzida por Alcolumbre durante o processo de votação, segundo informações apuradas pela jornalista Mônica Bergamo, colunista do diário conservador paulistano Folha de S.Paulo. Embora discursos oficiais indiquem que Lula teria recebido o resultado com tranquilidade, observadores apontam forte insatisfação no governo.
Antes mesmo da abertura dos votos, aliados do presidente já indicavam que Alcolumbre poderia enfrentar consequências políticas adversas, uma vez que seu nome aparece na investigação sobre o escândalo do Master, por ligações com o governo do Amapá.
Cenário
Na manhã passada, antes da sabatina do indicado por Lula, interlocutores relataram que Alcolumbre já contava com cerca de 50 votos contrários à indicação, o que gerou maior apreensão entre governistas. O cenário reforçou a percepção de que a derrota seria inevitável.
Diante do episódio em curso, integrantes do governo propõem uma reação política mais incisiva, principalmente no Estado de origem do senador.