Um número cada vez maior de congressistas têm cobrado a apuração sobre as relações de Vorcaro com autoridades públicas, entre eles Alcolumbre, o presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (PP-AL) e o pré-candidato do PL à Presidência, senador Flávio Bolsonaro (RJ).
Por Redação – de Brasília
O pagamento do ex-banqueiro Daniel Vorcaro no valor de R$ 155 milhões para o presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (UB-AP), veio a público nesta sexta-feira e ampliou, de imediato, a pressão para que seja instalada uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), no Senado, ou uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), nas duas Casas do Parlamento, para apurar caso do Banco Master. A notícia ganhou destaque, no início desta tarde, na mídia conservadora.

Um número cada vez maior de congressistas têm cobrado a apuração sobre as relações de Vorcaro com autoridades públicas, entre eles Alcolumbre, o presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (PP-AL) e o pré-candidato do PL à Presidência, senador Flávio Bolsonaro (RJ). Segundo o site de notícias UOL, as transações envolvendo Vorcaro aumentaram a pressão sobre Alcolumbre e impulsionaram as articulações pela abertura das investigações.
Em discurso na Mesa Diretora do Senado, há algumas semanas, Alcolumbre indeferiu pedidos de leitura de requerimentos para instalação da CPI, sob o argumento de que a definição do momento da leitura é ato discricionário da Presidência do Congresso.
Delação
A defesa de Daniel Vorcaro teria relatado o pagamento de R$ 155 milhões diretamente ao presidente do Senado, em uma segunda proposta de delação premiada apresentada no âmbito das investigações sobre o Banco Master, conforme apuraram as reportagens da revista mensal de ultradireita Veja e do site brasiliense de notícias Metrópoles.
Vorcaro teria dito que o repasse, em dólares, alcançou o valor de US$ 30 milhões, equivalente a cerca de R$ 155 milhões no câmbio do dia. O montante teria sido depositado em uma conta no exterior e, posteriormente, transferido a Alcolumbre como contrapartida por apoio a uma demanda de interesse do Banco Master. A operação teria sido intermediada por Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro.
Em nota, nesta manhã, Alcolumbre negou a acusação. Sua assessoria afirmou que as informações “são absolutamente falsas, não procedem” e que serão “enfrentadas com a máxima firmeza”. Embora a proposta de delação tenha sido rejeitada pela PF, as informações passadas por Vorcaro foram mantidas.
União Brasil
“O senador Davi Alcolumbre jamais recebeu valores, no Brasil ou no exterior. Diante da gravidade das acusações e dos danos causados à sua honra e à sua trajetória pública, serão adotadas todas as medidas judiciais cabíveis, nas esferas cível e criminal, para que os responsáveis pelas acusações respondam por suas afirmações e apresentem as provas que dizem possuir”, diz a nota de Alcolumbre.
Na avaliação da PF, no entanto, a nova proposta de delação continuou sem trazer fatos inéditos ou elementos considerados relevantes para o avanço das investigações da Operação Compliance Zero. A segunda proposta apresentada por Vorcaro também menciona supostos pagamentos ao presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, e a integrantes do PT baiano.
Rueda também nega irregularidades e afirma não ter relação pessoal com Vorcaro, embora reconheça que seu escritório de advocacia prestou serviços ao Banco Master. Já o ex-ministro da Casa Civil Rui Costa (PT), citado no contexto das operações do programa Credcesta na Bahia, também nega proximidade com o empresário. Costa afirma ter se encontrado com Vorcaro apenas uma vez, em agenda institucional, e defende a apuração dos fatos.